Matt Johnson/Wikimedia Commons

Don Bacon

“Não sabemos o que se passa aqui”. Republicanos lançam duras críticas sobre o Pentágono por cancelar envio de tropas para a Polónia sem qualquer explicação. Teme-se enfraquecimento da NATO.

Influentes republicanos no Congresso dos Estados Unidos criticaram duramente o Pentágono pela recente decisão de cancelar o destacamento de uma brigada norte-americana para a Polónia, de cerca de 4 mil militares, uma medida que apanhou de surpresa aliados europeus, legisladores e, aparentemente, a própria liderança do Exército.

A decisão, tomada pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth, travou uma rotação de nove meses há muito planeada, que envolveria os cerca de 4000 militares baseados no Texas. Para vários membros republicanos da Comissão dos Serviços Armados da Câmara dos Representantes, o recuo é um sinal negativo para Varsóvia, para os aliados bálticos e para o próprio Congresso, que tem defendido o reforço da presença militar norte-americana na Europa.

“É uma chapada na cara da Polónia; é uma chapada na cara dos nossos amigos bálticos”, afirmou o congressista republicano Don Bacon, do Nebraska, durante uma audição com responsáveis do Exército, segundo o Politico. “É uma chapada na cara desta comissão”, concluiu.

A irritação dos legisladores foi agravada pelo facto de os principais responsáveis civis e militares do Exército não terem apresentado uma explicação clara para a decisão. O secretário do Exército, Dan Driscoll, e o chefe de Estado-Maior interino, general Christopher LaNeve, reconheceram que a ordem foi recente e que terá sido tomada nas últimas semanas. Segundo LaNeve, o gabinete de Hegseth instruiu o comandante do Comando Europeu dos EUA, o general Alexus Grynkewich, a reduzir os níveis de tropas no continente.

O testemunho pareceu contradizer a comunicação pública do Pentágono. Na véspera, o porta-voz interino Joel Valdez afirmara que a decisão “não foi inesperada nem de última hora”. O congressista republicano Austin Scott, da Geórgia, contestou essa versão, dizendo não ver como a declaração poderia ser verdadeira, tendo em conta o calendário descrito pelos responsáveis militares.

LaNeve confirmou ainda que alguns elementos da brigada e parte do equipamento já se encontravam na Europa, ou a caminho, quando o destacamento foi cancelado.

O presidente da comissão, Mike Rogers, também republicano, acusou ainda a administração de não ter cumprido a consulta estatutária ao Congresso.

Esta não é a primeira vez nos últimos dias que a a administração Trump e republicanos defensores de uma postura militar robusta na Europa colidem.

Nos últimos meses, Washington decidiu retirar 5000 militares da Alemanha e não substituir uma brigada que deixou a Roménia.

Embora Donald Trump tenha elogiado a Polónia pelos seus elevados gastos em defesa, há receios no Congresso de que estas decisões enfraqueçam a NATO. O democrata Adam Smith, membro destacado da comissão, defendeu que, se existe uma estratégia por detrás da medida, os responsáveis militares devem ser capazes de, pelo menos, a explicar aos legisladores.


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