Uma equipa de cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos da América, liderada pelo investigador espanhol César de la Fuente, desenvolveu um sistema de Inteligência Artificial (IA) generativa capaz de acelerar a criação de novos antibióticos e reforçar o combate às infecções resistentes aos medicamentos.

A ferramenta, denominada ApexGO, foi concebida para analisar compostos já existentes e optimizá-los, transformando modelos moleculares em candidatos terapêuticos mais potentes e eficazes contra agentes patogénicos difíceis de tratar.

Segundo os investigadores, o ApexGO consegue reduzir processos de investigação que normalmente levariam anos para apenas algumas horas. Através de testes laboratoriais, a equipa demonstrou que a ferramenta pode antecipar soluções para algumas das mais perigosas infecções hospitalares da actualidade.

O sistema concentra-se especialmente nos peptídeos (pequenas moléculas semelhantes a proteínas que podem actuar como antibióticos). Em vez de apenas pesquisar bases de dados de moléculas conhecidas, o ApexGO parte de modelos de peptídeos já existentes e propõe alterações estruturais destinadas a aumentar a sua eficácia na eliminação de bactérias nocivas.

“O modelo aprende padrões a partir de sequências de peptídeos e, posteriormente, sugere novas versões com maior probabilidade de sucesso”, explicou César de la Fuente. O investigador acrescentou que a IA funciona como um mecanismo inteligente de concepção molecular, capaz de explorar novas possibilidades terapêuticas que podem depois ser sintetizadas e testadas em laboratório.

A ferramenta, denominada ApexGO, foi concebida para analisar compostos já existentes e optimizá-los, transformando modelos moleculares em candidatos terapêuticos mais potentes e eficazes contra agentes patogénicos difíceis de tratar

Para validar o método, os cientistas iniciaram o estudo com dez peptídeos básicos e utilizaram a ferramenta para gerar versões melhoradas. Posteriormente, produziram 100 desses peptídeos em laboratório e avaliaram a sua capacidade de combater bactérias, o modo como actuavam, as estruturas que formavam e o eventual nível de toxicidade para as células humanas.

Os resultados mostraram-se particularmente promissores contra bactérias gram-negativas, consideradas das mais difíceis de tratar e frequentemente associadas a graves infecções hospitalares.

“O ApexGO demonstra que a Inteligência Artificial pode fazer mais do que prever moléculas eficazes. Pode também ajudar a melhorá-las”, destacou o investigador, sublinhando que a tecnologia surge num momento particularmente importante devido ao aumento global da resistência aos antibióticos.

Os resultados da investigação já foram publicados, reforçando as expectativas de que a IA venha a desempenhar um papel determinante no futuro do desenvolvimento farmacêutico e no combate às doenças infecciosas.

Fonte: Notícias ao Minuto