Sergei Ilnitsky / EPA

Vladimir Putin, presidente da Rússia
Dmitry Senin trabalhava para os serviços secretos da Rússia mas foi acusado de traição. Escapou de uma forma original. Mas resultou.
Um antigo agente dos serviços secretos russos revelou ter escapado às autoridades do Kremlin através de um plano insólito: atravessar a fronteira escondido dentro da carcaça de uma vaca morta.
O protagonista da história, divulgada pelo The Telegraph, é Dmitry Senin, ex-oficial de alta patente do FSB, o principal serviço de informações da Rússia e sucessor da KGB soviética.
Revelou ter fugido depois de ter sido acusado de traição pelo regime de Vladimir Putin. Segundo o testemunho de Senin, tudo começou em 2017, quando participou numa investigação relacionada com alegados casos de corrupção envolvendo elementos das forças de segurança russas.
O antigo espião garante que, após ter denunciado irregularidades, passou de investigador a alvo do próprio sistema que servira durante quase duas décadas.
Acusado de crimes financeiros e de colaborar contra os interesses do Estado, viu-se obrigado a entrar na clandestinidade.
Durante vários anos, Dmitry Senin terá vivido escondido em Moscovo, recorrendo a disfarces e mudando constantemente de localização.
Contudo, a invasão russa da Ucrânia, em 2022, levou-o a concluir que continuar na Rússia significaria, inevitavelmente, prisão ou morte.
Foi então que começou a organizar a fuga.
O plano, preparado ao longo de dois meses, envolveu contrabandistas e antigos contactos ligados aos serviços secretos.
Para evitar ser detetado pelas câmaras térmicas instaladas na fronteira com o Cazaquistão, Senin vestiu um fato de borracha, utilizou uma máscara de gás e envolveu o corpo em folhas metálicas.
Depois, entrou na carcaça de uma vaca em decomposição, transportada num trator por homens que se faziam passar por agricultores.
Já no Cazaquistão, a carcaça foi abandonada numa ravina usada como depósito de animais mortos.
Dmitry Senin continuou escondido durante cerca de uma hora antes de sair; depois continuou a fuga a pé até um ponto de encontro que já estava combinado com cúmplices.
A partir daí, contou com a ajuda de um antigo oficial da KGB para chegar ao Montenegro, país onde acabou por pedir asilo político.