Um mergulhador das Forças Armadas das Maldivas morreu no decorrer das operações de resgate dos corpos de quatro italianos que morreram na passada quinta-feira, durante uma expedição de mergulho, no atol de Vaavu.
Mohamed Mahudhee não resistiu às complicações provocadas pela doença de descompressão, relacionada com a acumulação do azoto inalado da garrafa de mergulho que, com o aumento da pressão ambiente, forma bolhas que se dissolvem no sangue e podem chegar a todo o corpo. Se a subida à superfície for demasiado rápida, as bolhas podem permanecer nos tecidos, provocando lesões locais, ou entupir vasos sanguíneos.
O óbito foi declarado depois de o militar ser transportado para um hospital na capital do país, Malé.
As autoridades locais tinham suspendido as operações de busca e resgate na sexta-feira, devido ao mau tempo, mas retomaram-nas neste sábado. Mohamed Mahudhee integrava o grupo de mergulhadores que, na sexta-feira, informou o Presidente do país sobre o plano para o resgate dos corpos de cidadãos italianos no Índico.
O incidente aconteceu quando os cinco mergulhadores tentavam entrar nas cavernas subaquáticas de Vaavu, conhecidas pelas fortes correntes, a uma profundidade de 50 metros. Não são ainda conhecidas as causas das mortes.
O corpo de uma das vítimas, já identificada como o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti (44 anos), foi encontrado perto da entrada de uma gruta pouco depois do alerta às autoridades. As equipas de resgate acreditam que as restantes quatro estarão no interior da mesma gruta, que se divide em três câmaras, ligadas por passagens estreitas.
Os socorristas estavam divididos em quatro pares, que, na sexta-feira, antes da interrupção das operações, já tinham chegado a duas das três câmaras da gruta.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, garantiu que o Governo “fará tudo o que for possível para recuperar os corpos”, estando previsto que dois especialistas italianos se juntem às buscas coordenadas pelas Maldivas.
Além de Gianluca Benedetti, que vivia nas Maldivas há vários anos, as vítimas são Monica Montefalcone, de 51 anos, bióloga e professora de Ecologia na Universidade de Génova; a sua filha e estudante Giorgia Sommacal, de 23 anos; a bióloga marinha e investigadora Muriel Oddenino, de 31 anos; e o biólogo marinho Federico Gualtieri, de 31 anos.
A Universidade de Génova informou entretanto que Montefalcone e Oddenino estavam numa expedição científica para monitorizar ecossistemas marinhos e estudar os efeitos da crise climática na biodiversidade tropical.
Segundo o porta-voz da Presidência das Maldivas, as autoridades estão a tentar perceber porque é que o grupo desceu abaixo da profundidade máxima permitida para mergulho recreativo no país (30 metros).