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De acordo com um estudo elaborado por Oliver Fenton, Jacob Bellamy e Eva Radukic, da Ipsos, e financiado pelo Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia (DSIT) e pelo Programa de Investigação, Desenvolvimento e Análise Científica do Departamento de Cultura, Meios de Comunicação e Desporto (DCMS) do Reino Unido, 73 % da população utilizou a IA na sua vida quotidiana durante o último mês, 36 % afirma tê-la utilizado no local de trabalho e 21 % confirma que aumentou a sua produtividade.
Estes números, que já são bastante elevados para uma tecnologia relativamente recente, só vão continuar a crescer nos próximos anos, e não seria de estranhar que fossem comparáveis aos de outros países. Actualmente, mais de 800 milhões de pessoas utilizam o ChatGPT semanalmente, sendo esta a ferramenta de IA mais popular do mundo, embora o Gemini da Google lhe esteja a pisar os calcanhares com os seus mais de 750 milhões de utilizadores em todo o mundo. Os bots conversacionais estão cada vez mais integrados na nossa vida quotidiana, e teria de acontecer algo muito grave para que isto mudasse.
Todas as perguntas e pedidos feitos a estes sistemas têm um custo. Embora os chatbots possam ser utilizados gratuitamente, as empresas têm de pagar os custos energéticos gerados pelos centros de processamento de dados. E não são pequenos. Já não se trata apenas da electricidade necessária para mantê-los operacionais, mas também da água necessária para arrefecer os sistemas, essencial para evitar o sobreaquecimento dos chips de IA. Um centro de dados consumiu 113 milhões de litros de água e ninguém se apercebeu durante meses.
Uma conta de água de quase 130 mil euros
Os residentes do condomínio Annelise Park em Fayetteville, Geórgia (Estados Unidos), descobriram o segredo ao perceberem que a pressão da água estava mais baixa do que o normal. Quando a empresa de serviços públicos do condado investigou o caso, os funcionários descobriram duas ligações de água à escala industrial que abasteciam um complexo de centros de dados localizado a 32 quilómetros a sul do centro de Atlanta.
Uma das ligações tinha sido instalada sem o conhecimento da empresa de serviços públicos do condado, enquanto a outra não estava associada à conta da empresa, pelo que o consumo de água não era facturado. A empresa promotora, a Quality Technology Services (QTS), devia, no total, quase 150 mil dólares (cerca de 128 mil euros à taxa de câmbio) pelo consumo de mais de 29 milhões de galões de água (mais de 110 milhões de litros).
Esta quantidade de água equivale ao volume de 44 piscinas olímpicas e ultrapassa largamente o limite máximo acordado durante o planeamento do centro de dados. Os detalhes foram revelados numa carta do sistema de água do condado de Fayette à Quality Technology Services, na qual se especifica a cobrança retroactiva de 147.474 dólares. Embora não se especifique quantos meses abrangia a factura por pagar, um porta-voz da QTS afirmou que se tratava de um período entre 9 e 15 meses.
A empresa, após ter sido notificada, pagou todas as cobranças retroactivas, indicando que o consumo de água não medido ocorreu enquanto o condado convertia o seu sistema para contadores inteligentes. Parece que todos os centros já estão completamente integrados e monitorizados. Vanessa Tigert, directora do sistema de água, atribuiu o problema a uma confusão de procedimentos: “O condado de Fayette é um subúrbio, principalmente residencial, e, de qualquer forma, não temos muitos contadores comerciais no nosso sistema. Por isso, não nos apercebemos de que o nosso ponto de ligação não estava a funcionar.”
O campus de Fayetteville é um dos maiores complexos de centros de dados dos Estados Unidos. Tem uma extensão de quase 250 hectares e há planos para construir até 16 edifícios. Parcialmente operacional, segundo os responsáveis do condado, o campus irá gerar dezenas de milhões de dólares em impostos prediais anuais, mas a sua dimensão gigantesca e o consumo energético desmedido provocaram a oposição dos residentes, que não querem que se continue a construir centros de dados.