O que acontece à frota de uma companhia aérea quando é declarada a sua falência? É algo que não é comum acontecer, especialmente nos Estados Unidos da América, mas no início deste mês, a Spirit Airlines — uma das maiores do país — anunciou a sua dissolução. A empresa tinha mais de uma centena de aviões amarelos a viajar diariamente por todos os estados norte-americanos e pelo resto do continente e, agora, foi preciso retirá-los de circulação e dos diferentes aeroportos onde estavam estacionados desde o dia 2 de maio, quando foi decretado o fim da companhia low-cost.

Spirit Airlines encerra atividade após 34 anos e cancela operações de imediato

A equipa da Nomadic Aviation Group começou ainda antes de a Spirit ter declarado o cessar permanente das operações. Como descreve o piloto e sócio-gerente da empresa Steve Giordano à CNBC, os seus pilotos começaram a ser mobilizados cerca de nove horas antes do anúncio da dissolução. Alguns dos profissionais contratados pela Nomadic eram antigos pilotos da Spirit, mas o trabalho era relativamente simples. Subir ao cockpit dos aviões amarelos estacionados em diferentes aeroportos e levá-los para o deserto.

Se no início do mês as aeronaves da Spirit iam cheias de passageiros a querer passar de um ponto para o outro no país, estes voos iam vazios, e com um destino outrora inatingível. Os voos da Spirit descolam e aterram apenas de aeroportos comerciais nos Estados Unidos e noutros hubs americanos, mas na periferia da cidade de Phoenix e Tucson, no meio do deserto do Arizona, existe um aeroporto especial onde, no espaço de uma semana, os pilotos ao serviço da Nomadic conseguiram armazenar 23 daqueles Airbus amarelos.

É uma prática comum e algo que foi feito na altura da pandemia de Covid-19, quando milhares de aviões foram forçados a permanecer em terra. De acordo com a CNBC, o calor e as condições habituais naquele deserto são ideais para reduzir os riscos de corrosão das componentes das aeronaves e outros problemas associados à não utilização dos equipamentos. Neste caso, enquanto aguardam o regresso aos donos originais — uma vez que uma larga parte da frota da Spirit era arrendada — ou são vendidos por peças, os aviões amarelos vão permanecer naquelas pistas vazias.

Ao todo, a Spirit tinha em sua posse 114 A320, dos quais 66 vão ter de ser distribuídos por diferentes pontos do país para continuarem a voar com outras bandeiras. Segundo Giovani, “este é o tipo de operações menos comum” que estão habituados a fazer na Nomadic, que se especializa na entrega de aeronaves a novos clientes um pouco por todo o mundo.

Duas semanas após o fim das operações da Spirit, ainda não é conhecido o destino dos diferentes aviões que compunham a frota amarela. Entre os que vão regressar à origem, os que vão ganhar nova vida ou aqueles que simplesmente serão desmantelados e vendidos por peças, o piloto que está a coordenar os voos até ao deserto admite que o sentimento de ser a última pessoa a pilotar uma destas aeronaves icónicas é “surreal”. “É a última vez que isto vai acontecer, e acontece ser eu a pilotá-los”, confessou à CNBC.