Um novo decreto, assinado no sábado, pelo líder da Rússia, Vladimir Putin, permitirá que os residentes permanentes da Transnístria com mais de 18 anos obtenham a cidadania russa através de um processo simplificado.
O decreto dispensa a exigência de conhecimentos da língua russa, da história russa e da legislação russa, assim como de terem vivido na Rússia durante cinco anos antes da apresentação do pedido.
Horas depois, Zelensky disse que “a Rússia deu mais um passo em relação à Transnístria: simplificou o acesso à cidadania para as pessoas originárias desta região da Moldova”.
“Esta é uma medida muito reveladora. Não significa apenas que a Rússia esteja à procura de novos recrutas — uma vez que a cidadania também implica a obrigação de prestar serviço militar — mas é também uma forma de reivindicar o território da Transnístria”, denunciou o Presidente ucraniano.
Numa publicação nas redes sociais, Zelensky acusou a Rússia de querer anexar mais territórios para além das atuais aspirações à região do Donbas, no leste da Ucrânia.
“Os que estão em Moscovo costumam dizer a vários interlocutores que estão supostamente interessados apenas no Donbas. Na realidade, o que está em jogo é muito mais do que Donbas. Temos de responder a isso”, defendeu.
“Ainda mais, dado que a presença do contingente militar russo e dos serviços especiais na Transnístria também representa um desafio para nós. [A Ucrânia] precisa de uma Moldova estável e forte”, afirmou Zelensky.
A Transnístria é uma região separatista não reconhecida, localizada entre o rio Dniester e a fronteira entre a Moldávia e a Ucrânia. Atualmente, consegue operar fora do controlo governamental em Chisinau, com moeda, força policial, exército e serviço postal próprios.
Com a queda e subsequente desintegração da União Soviética, e perante a possibilidade de a Moldova passar a fazer parte da Roménia, vários distritos na margem oriental do rio Dniester, com uma população predominantemente russófona, proclamaram a República Moldava da Transnístria no início da década de 1990.
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