Ouvir na voz do colunista

Ouvir na voz do colunista

Flávio Bolsonaro (PL) e Guilheme Derrite (PP) em lançamento de pré-candidatura em Sorocaba Flávio Bolsonaro (PL) e Guilheme Derrite (PP) em lançamento de pré-candidatura em Sorocaba Imagem: Gabriel Toueg / Colaboração para o UOL

Na política, como na vida, há uma regra singela para lidar com os buracos: quem cai dentro de um deve parar imediatamente de cavar. Desde o surgimento do áudio tóxico em que pede dinheiro a Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro se comportava como se tivesse descoberto uma maneira nova de sair do buraco: cavando um buraco ainda maior. Conseguiu piorar sua estratégia ruim.

Num evento em Sorocaba, ao lado do candidato ao Senado Guilherme Derrite, Flávio se disse perseguido. Acusou o governo de “aparelhar” a Polícia Federal —é “o tudo ou nada para tentar me enterrar vivo”, afirmou, antes de vociferar: “Não vão conseguir, porque isso aqui é um projeto de Deus, eu estou com mais disposição do que nunca.”

Falta ao raciocínio do filho de Bolsonaro nexo, seriedade e uma camada de óleo de peroba. A formulação de Flávio é desconexa porque ninguém o persegue no momento, exceto sua própria língua. Foi ela quem negociou R$ 134 milhões com Vorcaro, arrancando R$ 61 milhões. Partiu dela o compromisso de lealdade eterna ao mafioso que tinha um banco: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.”