Francesco Farioli disse não ter pregado olho nas duas noites que se seguiram à derrota da passada jornada frente ao AVS, desaire que o impediu de igualar o recorde de pontos da época 2021-22, atingido por Sérgio Conceição. Este sábado, depois da vitória frente ao Santa Clara no jogo da consagração (1-0), o italiano poderá descansar mais satisfeito após a festa do título, que se prolonga noite dentro pelas ruas do Porto. Os “dragões” acabam a temporada com 88 pontos, somando 28 triunfos em 34 jogos.
As insónias alegadamente sofridas pelo italiano viram-se no momento de escolher o “onze” inicial. Apesar de o momento de festa poder dar azo a alguma descontracção, Farioli decidiu chamar os titulares indiscutíveis a jogo. Diogo Costa voltou à baliza “azul e branca”, depois da prestação menos conseguida de Cláudio Ramos na derrota frente ao AVS, juntando-se ainda o regresso do duo polaco Bednarek e Kiwior à defesa, bem como o de Froholdt ao meio-campo.
Homenagem a Pinto da Costa e Jorge Costa nos minutos iniciais da partida
Rita França/Reuters
Longe dos lugares europeus e a salvo da despromoção, o Santa Clara não tinha objectivos tangíveis em disputa no Dragão, além do facto de se poder tornar uma das poucas pedras no caminho dos “dragões” esta temporada. Apesar da guarda de honra feita à entrada para o relvado, Petit, técnico dos açorianos, deixou claro que faria tudo para não ajudar à folia dos portistas.
Dito e feito. Nos primeiros 45 minutos, os portistas sentiram dificuldade em chegar com objectividade à baliza contrária, num primeiro tempo algo letárgico. Os lances de perigo surgiram quase exclusivamente de remates feitos à distância: Kiwior, de livre de fora da área, e Mora, num remate em arco, que obrigou a uma grande defesa de João Afonso para canto.
Paciente e com bloco recuado, o Santa Clara procurou aproveitar qualquer deslize com transições rápidas, colocando o FC Porto em sentido em alguns momentos do primeiro tempo. Aos 19′, Gustavo Klismahn esteve perto de fazer o golo, mas a bola sairia pouco ao lado da baliza de Diogo Costa. Cinco minutos depois, aos 24′, seria Gabriel Silva a rematar com perigo.
No segundo tempo, a letargia “azul e branca” assumiu novos contornos. O Santa Clara entrou no jogo com intenções de inaugurar o marcador, com o lateral Diogo Calila a ficar a centímetros do golo na sequência de um remate à entrada da área. Alguns assobios tímidos ecoaram no Dragão e Farioli não demorou muito a mexer, substituindo Borja Sainz e Deniz Gul por Gabri Veiga e Pietuszewski.
Com Mora a ocupar a posição de falso 9, o motor “azul e branco” começou a carburar de outra maneira. Somavam-se oportunidades e não demorou muito até que o golo chegasse.
Aos 69′, após combinação entre William Gomes e Froholdt na lateral direita, um cruzamento do dinamarquês foi desviado por Sidney Lima para a própria baliza. Estava desfeito o nó no marcador e o Dragão festejava.
O jogo assumiu depois, verdadeiramente, contornos de festa. Diogo Costa deu o lugar na baliza e a braçadeira de capitão a João Costa, terceiro guarda-redes que somou os primeiros minutos esta época. Campeão pelos portistas em todos os escalões, Farioli deu-lhe também a oportunidade de conseguir o título de sénior. Também Bernardo Lima, jogador da equipa B, mereceu a aposta do treinador, tornando-se no 33.º jogador utilizado pelo italiano esta época.
Os portistas partem agora rumo aos festejos do título, que percorrem a Ribeira e os Aliados. O ponto alto, a subida à varanda da Câmara Municipal do Porto, deverá acontecer já durante a madrugada.