“Não tirámos nota máxima, mas tivemos um muito bom”. Foi assim que Juan Manuel Moreno, o líder do Partido Popular (PP) na Andaluzia reagiu aos resultados das eleições regionais, que viram o partido a manter o primeiro lugar, mas sem maioria absoluta, o Vox a crescer timidamente e o PSOE a cair para o pior resultado da história naquele que já foi um bastião socialista.
Contados 99,86% dos votos, o PP conquistou 41,59%, o que corresponde a 53 lugares no parlamento regional, ficando aquém dos 55 necessários para a maioria absoluta e perdendo cinco dos 58 que tinha na anterior legislatura. O cenário não tinha sido previsto pelas sondagens que foram publicadas ao longo da campanha e à boca das urnas, que mostravam o PP a manter a maioria absoluta.
A capacidade de os conservadores formarem governo pode agora depender — como já aconteceu na Extremadura e em Aragão — do Vox. O partido da extrema-direita ficou em terceiro lugar, com 13,82% dos votos e 15 lugares, mais um do que conquistou em 2022.
Juan Manuel (Juanma) Moreno, que é também o presidente do governo regional desde janeiro de 2019, de perfil conservador moderado, foi um dos “barões” do partido, que lidera a oposição nacional em Espanha, a criticar os acordos assinados com a extrema-direita nessas duas regiões.
Entre outros aspetos, os acordos incluem um princípio de “prioridade nacional” no acesso a serviços e apoios públicos, alinhado com o discurso anti-imigração do Vox. Nesta campanha, Juanma Moreno tinha pedido insistentemente uma “maioria suficiente” para “evitar problemas”, considerando inviável um governo de coligação com o Vox.
PP vence eleições na comunidade autónoma de Aragão. Vox dispara e PSOE cai a pique
A Andaluzia ficou na história política recente de Espanha por ter sido nesta região que a extrema-direita entrou pela primeira vez num parlamento, na sequência das eleições de 2018. A estagnação no crescimento do Vox pode, portanto, também ter uma leitura nacional.
A maior derrota da noite foi do PSOE, que ficou em segundo lugar, com 22,71% dos votos e 28 lugares no parlamento. Com a perda de dois lugares, os socialistas assinaram, assim, o pior resultado de sempre na região mais populosa de Espanha, que já foi um bastião do PSOE. Antes da vitória do PP, em 2022, os socialistas governaram a Andaluzia durante 37 anos consecutivos.
Sendo esta a última eleição antes das legislativas do próximo ano, a eleição regional é vista no país como um barómetro à popularidade do Governo de Pedro Sanchéz. Ainda mais, tendo a candidatura sido encabeçada por Maria Jesus Montero, ministra das Finanças de Pedro Sánchez entre 2018 e este ano. Era também a vice de Sánchez no Governo e continua a ser a “número dois” na direção nacional do PSOE.
A maior vitória foi dos regionalistas de esquerda do Adelante Andalucía, que duplicaram os votos conquistados em 2022, chegando aos 9,62% e conquistando oito lugares, mais seis do que tinham na atual aritmética do parlamento regional. O partido ultrapassou a outra força política do mesmo espectro, o Por Andalucía, que manteve os mesmos cinco lugares, com 6,32% dos votos.
Notícia atualizada às 23h25 com os resultados finais