No próximo dia 4 de junho, “Load”, sexto disco de estúdio do Metallica, completa 30 anos. Sucessor do aclamado “Black Album” (1991), o trabalho marca uma guinada significativa no som da banda liderada por James Hetfield (guitarra/vocal) e Lars Ulrich (bateria), o que dividiu opiniões. Enquanto uns gostaram, outros torceram o nariz.

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Para entender melhor por quais razões “Load” desperta reações distintas, é necessário voltar no tempo. Fundado em 1981, o Metallica se firmou como um dos pioneiros do thrash metal, status conquistado graças ao impacto causado pelos seus três primeiros discos de estúdio: “Kill ‘Em All” (1983), “Ride the Lightning” (1984) e “Master of Puppets” (1986).

Dez anos separam os lançamentos de “Master of Puppets” e “Load”. E muita coisa aconteceu com o Metallica ao longo desse período. Um desses fatos foi a precoce morte do baixista Cliff Burton, falecido em um acidente automobilístico ocorrido no dia 27 de setembro de 1986.

Com Jason Newsted assumindo o baixo, o Metallica seguiu seu caminho e, aos poucos, promoveu mudanças em seu direcionamento artístico. Em “…and Justice for All” (1988), as composições se tornaram mais intrincadas e extensas. Já no disco autointitulado, o supracitado “Black Album”, James e seus camaradas foram no rumo contrário: encurtaram as canções, que ficaram mais melódicas e acessíveis.

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A aposta bancada pelo Metallica em “Black Album” deu muito certo. O trabalho vendeu dezenas de milhões de cópias, emplacou hits radiofônicos e aumentou de forma exponencial o alcance do quarteto.

O hiato entre “Black Album” e “Load” se estendeu por praticamente cinco anos. Nesse intervalo, o grupo fez turnês extensas e consolidou seu nome entre os maiorais da indústria musical.

Pois bem, após anos de shows apoteóticos, “Load” foi lançado. Composto por 14 faixas, o trabalho nem de longe lembra os primeiros discos do Metallica. O thrash vigoroso de outrora, que já havia perdido espaço, foi substituído por uma sonoridade voltada ao rock alternativo.

O peso continuava presente, embora aparecesse de maneira menos intensa, como pode ser notado na introspectiva “Until it Sleeps” e na épica “The Outlaw Torn”. No entanto, a velocidade que consagrou o Metallica basicamente havia sumido.

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Também há de se pontuar que “Load” reserva espaço para a emocionante “Mama Said”. Melancólica e reflexiva, a faixa dialoga com a country music, o que seria praticamente impensável para o Metallica dos anos 1980.

O “rebranding” não se resumiu ao campo musical, uma vez que os integrantes do Metallica cortaram as longas madeixas. Além disso, as roupas de “metaleiro radical” ficaram para trás e cederam espaço para um visual casual. Acredite ou não, em pleno maio de 2026 ainda há quem esquente a cabeça com isso.

Trinta anos depois, fica o questionamento: por que “Load” causou (e ainda causa) rejeição? A possível resposta para essa pergunta passa, diretamente, pelo som apresentado no disco em questão. Parte dos fãs do Metallica não entendeu muito bem como um dos baluartes do thrash passou a fazer um som tão acessível. Ver um dos maiores expoentes do gênero deixar parte de suas características para trás pode ter sido um duro golpe.

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Outro fator que deve ser levado em consideração é que uma parcela considerável dos fãs de metal não costuma reagir bem a mudanças abruptas. E, definitivamente, há um abismo entre “Disposable Heroes” e “Hero of the Day”.

Também é notório que, ao longo dos anos 1990, o Metallica passou a ser admirado por fãs de outros estilos musicais. “Dividir” a banda do coração com “estranhos” não está entre as tarefas favoritas dos chamados “guardiões do metal”.

Existe ainda um aspecto emocional nessa discussão. Para muitos ouvintes, o Metallica dos anos 1980 representava rebeldia, agressividade e identidade. Tudo isso acabou perdendo espaço, demonstrando que a banda já não era mais a mesma.

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Três décadas depois, “Load” continua despertando debates apaixonados. Talvez por representar parte do processo em que o Metallica deixou de ser “apenas” uma banda de thrash metal para se tornar algo maior, admirado por multidões.

Aceitar bem ou mal essa transformação é uma escolha pessoal. Particularmente, gosto muito de “Load” e entendo por que tanta gente rejeitou o disco. Afinal, mudanças bruscas quase nunca passam despercebidas, ainda mais quando envolvem uma das instituições mais cultuadas da história do metal.

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