O Governo de Hong Kong anunciou um reforço dos controlos de saúde para os viajantes que chegam ao aeroporto vindos de África, ao surto de ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda.

O Serviço para a Proteção da Saúde (CHP, na sigla em inglês) da região disse que tinha sido implementado o mais baixo dos três níveis de alerta previstos no plano de resposta a surtos e confirmou o destacamento de equipas para o aeroporto.

O objetivo é “realizar o rastreio da temperatura dos viajantes nas portas de embarque relevantes e realizar avaliações médicas em viajantes que apresentem sintomas”, explicou o CHP.

Apesar da medida, as autoridades sublinharam que nunca foi registado em Hong Kong qualquer caso de ébola e que não existem voos diretos entre o território e a RDCongo ou o Uganda. “O CHP consultou o setor e descobriu que os viajantes provenientes destas regiões optam geralmente por fazer escala em Adis Abeba, a capital da Etiópia”, refere o comunicado, divulgado no domingo à noite.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou no domingo uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, o segundo nível mais elevado, face ao surto de ébola na RDCongo e no Uganda. De acordo com um comunicado divulgado pela OMS, o diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, determinou que o vírus “não preenche os critérios para uma emergência pandémica”.

Os dados mais recentes indicam que o surto já causou pelo menos 88 mortos, com 336 casos suspeitos, na RDCongo. No Uganda, foram reportados dois casos confirmados, sem ligação aparente, na capital Kampala, entre pessoas que viajaram da RDCongo.

O Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDCongo confirmou também o primeiro caso de infeção pelo vírus ébola em Goma, uma importante cidade no leste do país, controlada pelo grupo armado antigovernamental M23. A OMS alertou que “a elevada taxa de positividade das amostras iniciais e a confirmação de casos em Kampala e Kinshasa [capital da RDCongo] apontam para um surto potencialmente muito maior do que o que está a ser detetado atualmente”.

A OMS salientou ainda que, ao contrário de outras estirpes de ébola, “não existem atualmente tratamentos ou vacinas aprovados especificamente para o vírus Bundibugyo”.

A organização instou os Estados vizinhos — incluindo Angola — e a comunidade internacional a coordenar estreitamente os esforços para conter a propagação e sublinhou que “nenhum país deve fechar as suas fronteiras ou impor restrições às viagens e ao comércio”, alertando que tais medidas poderiam ser contraproducentes.

A RDCongo sofreu um surto de ébola entre agosto e dezembro de 2025, com pelo menos 34 mortes. O surto mais mortífero provocou quase 2.300 mortes em 3.500 casos entre 2018 e 2020. O ébola, que provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa, matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos.