Jievani / Depositphotos

A tecnologia da Zcash assenta em “zero-knowledge proofs”, uma abordagem criptográfica que permite validar transações sem revelar todos os seus dados. Sim, é uma questão de privacidade… e uma espécie de “seguro contra a Bitcoin”.

A Zcash, uma criptomoeda lançada em 2016 e durante anos pouco falada fora de círculos especializados, regressou em força ao radar dos investidores.

O token ZEC registou uma forte valorização nos últimos meses, impulsionado por uma combinação de interesse renovado na privacidade financeira, maior acesso através de plataformas de negociação e uma narrativa crescente de que o mercado cripto procura alternativas à Bitcoin.

A moeda valorizou-se de forma acentuada desde o outono de 2025. Depois de negociar perto dos 50 a 74 dólares, o token chegou a ultrapassar os 600 dólares, num movimento que contrastou com o desempenho mais fraco da Bitcoin e do Ethereum no mesmo período.

No último ano, a Zcash registou uma subida superior a 1.200%, enquanto a Bitcoin recuou mais de 21% e o Ethereum cerca de 12%, nota a Fast Company.

O principal atrativo da Zcash está na sua arquitetura centrada na privacidade. A tecnologia assenta em “zero-knowledge proofs”, uma abordagem criptográfica que permite validar transações sem revelar todos os seus dados, e capaz de ocultar detalhes como endereços de carteiras e informação associada aos pagamentos.

Analistas e responsáveis do setor veem nesta característica uma vantagem, num contexto de maior vigilância digital, recolha massiva de dados e avanço da inteligência artificial.

“O que a Zcash oferece e a Bitcoin não é capaz de nos dar é a possibilidade de realizar transações protegidas. As transações em Bitcoin são consideradas anónimas, mas na realidade são altamente transparentes e rastreáveis“, explicou Daniel Reis Faria, CEO da Zerostack, ao Business Insider.

“A Zcash trata a privacidade financeira como uma funcionalidade central, e não como um elemento secundário”, realça Reis Faria.

A moeda ganhou também impulso em outubro do ano passado, depois de o investidor indo-americano Naval Ravikant ter afirmado no X que “a Bitcoin é um seguro contra a moeda fiduciária — e a Zcash é um seguro contra a Bitcoin“.

O post de Ravikant deu origem a uma acesa discussão sobre quem servia de seguro a quem, mas a verdade é que desde então a Zcash ganhou algum hype… e não parou de subir.

Há também, de certa forma, uma dimensão cultural neste ressurgimento da Zcash. Há quem considere que a Bitcoin perdeu parte do seu espírito original, mais associado ao ideal cypherpunk e à resistência à vigilância estatal ou financeira.

À medida que a Bitcoin se torna um ativo institucionalizado, presente em carteiras tradicionais e produtos financeiros regulados, a Zcash surge agora para alguns como herdeira da promessa de privacidade e autonomia que marcou os primeiros anos das criptomoedas.


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