Europa negoceia com maioria de perdas. Inflação pressiona sentimento e Ryanair cai 3%


Os principais índices europeus negoceiam com perdas em praticamente toda a linha na primeira sessão da semana, com o sentimento dos investidores a ser pressionado por uma nova subida dos preços do crude nos mercados internacionais, fator que está, também, a alimentar receios em torno da inflação, e que poderá obrigar os bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu e o Banco de Inglaterra, a subirem taxas diretoras ao longo deste ano.


O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – recua 0,33% para os 604,90 pontos, já depois de ter atingido mínimos de duas semanas mais perto do arranque da sessão.


Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX soma 0,03%, o italiano FTSEMIB derrapa 1,73%, o francês CAC-40 perde 0,71%, o espanhol IBEX cai 0,42%, ao passo que o neerlandês AEX soma ligeiros 0,01%, num dia em que o britânico FTSE 100 regista ganhos de 0,09%.


O preço do barril de petróleo Brent segue agora a negociar acima dos 110 dólares, depois de o Presidente Donald Trump ter avisado que “o tempo está a esgotar-se” para o Irão chegar a um acordo com os Estados Unidos para pôr fim à guerra, enquanto se mantém o bloqueio do estreito de Ormuz.


Nesta medida, o “benchmark” Stoxx 600 registou o seu último recorde a 27 de fevereiro – ficando atrás dos congéneres norte-americanos que bateram sucessivos recordes ao longo do último mês -, na véspera de os EUA e Israel terem iniciado a guerra contra o Irão. Desde então, o índice de referência do Velho Continente caiu cerca de 5%.


“A esperança de uma resolução do conflito no estreito de Ormuz não se concretizou, pelo que não se espera uma acalmia nos mercados”, disse à Bloomberg Guillermo Hernandez Sampere, diretor de negociação da MPPM. “Além disso, existe o receio de uma nova escalada, o que irá pesar sobre os mercados”, acrescentou o mesmo especialista.


Entre os setores, o automóvel (-1,79%), o do turismo (-1,77%) e o da construção (-1,60%) registam as perdas mais expressivas, enquanto o do petróleo e gás (+1,43%), o das telecomunicações (+0,35%) e o tecnológico (+0,20%) lideram as subidas.


No que toca a movimentos do mercado, a Ryanair cede mais de 3%apesar de uma forte subida dos lucros, depois de a companhia aérea “low cost” ter alertado para o aumento dos custos este ano, caso os preços do combustível para aviões se mantenham nos níveis atuais. Por outro lado, a Sonova Holdings sobe 2,70% depois de a fabricante de aparelhos auditivos ter divulgado lucros anuais que superaram as estimativas.