— Quando eu penso de onde eu saí, penso na minha personalidade… Claro que eu fiz concessões, todo mundo faz. Algumas vezes fiz coisas por muito amor, outras, por dinheiro. Estou falando profissionalmente, a gente não faz só o que quer. Mas, quando olho para isso falo, que cheguei aonde queria. Eu queria muito fazer televisão. Quando eu comecei a fazer teatro, os atores tinham preconceito com televisão. Assumir que você queria fazer TV era quase um pecado, você era um alienado, fútil. Mas eu sempre quis fazer novela e consegui. Não tive nenhum tipo de deslumbramento, mas uma sensação de gratidão e conquista muito grande com isso. Claro que às vezes eu penso: “Poxa, eu podia ter mais dinheiro, estar mais rico”. Eu poderia estar mais tranquilo e não preocupado em acabar um trabalho e já pensar se me chamam para outro porque, se não me chamarem, eu tenho que criar algo para fazer. As pessoas hoje em dia veem essas matérias de atores que estão passando por situações difíceis e costumam dizer: “Ah, gastou dinheiro ostentando, gastou dinheiro com mulher, gastou dinheiro com homem, com besteira, achou que a fama não ia acabar”. Na verdade, para a maioria dos atores, quando você faz um uma novela, são oito, dez meses de trabalho. Depois, acabou. Às vezes você fica dois, três anos anos sem fazer novela. Eu fiquei sete anos. Tudo bem que eu estava fazendo o “Vai que cola” (do Multishow), que eu adorava e me segurava de grana. Mas hoje em dia eu não posso me aposentar, por exemplo, nem pensar.