• O encerramento da FCB Lisboa resulta da fusão internacional entre os grupos Interpublic e Omnicom, levando à criação da nova agência Edson Tech & Soul.
  • A nova agência, que será lançada em junho, irá operar em parceria com a Tech & Soul de São Paulo, focando no mercado lusófono.
  • A Edson Tech & Soul visa aumentar a capacidade criativa e estratégica, aproveitando uma rede mais ampla para atender a projetos complexos e diversificados.

Edson Athayde, CEO e CCO da FCB e Rodrigo Viana de Freitas, CEO da Central de Informação, em entrevista ao ECO/+M - 26FEV25

O desaparecimento da marca FCB, ditado a nível internacional em dezembro, após a fusão dos grupo Interpublic e Omnicom, vai ditar o encerramento da marca FCB Lisboa e também o fim da ligação de Edson Athayde à multinacional.

Mas, como antecipa o criativo e gestor ao +M, “enquanto agências desaparecem sem dizer adeus ou são engolidas umas pelas outras”, Edson Athayde e Vera Barros, sócios da FCB Lisboa, vão lançar uma nova agência.



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Assim, em junho, vai nascer a Edson Tech & Soul, em parceria operacional com a Tech & Soul de São Paulo e presença ativa em Angola. “A agência nasce já integrada numa rede criativa internacional independente e com clientes relevantes em carteira”, conta Edson Athayde, que decidiu aproveitar o momento não apenas para mudar de nome da agência, mas para redefinir o seu posicionamento e apostar num modelo orientado para os países de língua portuguesa.

Conheço bem o projeto Tech & Soul desde o início e sempre admirei a forma como a agência combina criatividade, visão estratégica e uma abordagem muito humana às relações com clientes e parceiros. Ao longo dos anos, as nossas equipas mantiveram uma relação próxima. Fizemos projetos em conjunto, trocámos experiências e fomos acompanhando o crescimento uns dos outros”, recorda



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A ideia de criar uma parceria já existia há algum tempo, recorda, mas enquanto estavam alinhados com a FCB não fazia sentido avançar. No final do ano passado aconteceram deram-se então os movimentos que abriram espaço para esta nova fase. “Do lado brasileiro surgiu o T&S Group, que hoje reúne várias empresas complementares, entre agências, produtoras e operações especializadas em meios, e começou a estruturar uma expansão internacional. Do nosso lado, havia uma vontade clara de ganhar independência sem cair no isolamento que muitas vezes fragiliza as agências independentes“, aponta em declarações ao +M.

“A Tech & Soul traz escala, diversidade de competências e uma forte cultura de inovação. Nós trazemos conhecimento do mercado europeu, experiência internacional e uma relação histórica com os mercados lusófonos, sobretudo Portugal e Angola”, prossegue o criativo.

Em termos de equipa, Edson Athayde diz que a estrutura em Portugal se mantém “relativamente compacta”, o que faz parte da “filosofia de operação mais ágil e colaborativa”. Entre equipa fixa e colaboradores regulares, são cerca de 25 profissionais. “A diferença é que passamos agora a integrar um ecossistema muito mais amplo dentro do T&S Group, com mais de 200 profissionais em diferentes especialidades“, acrescenta.

Por outro lado, a FCB Lisboa não tinha clientes por alinhamento internacional, pelo que não há perda direta de clientes. A operação inicia esta transição já com uma carteira sólida e diversificada, com cerca de 15 marcas. Entre os clientes estão a Medialivre, Lactogal, Turismo de Portugal, Associação dos Restaurantes de Portugal, Easy Jet, Unitel Angola e o Turismo da Geórgia, elenca.

Sobre o impacto no dia-a-dia, o fundador da Edson Tech & Soul responde que passa pelo aumento imediato das possibilidades criativas e estratégicas: “Passamos a fazer parte de um ecossistema com mais de 200 profissionais especializados em diferentes áreas da comunicação: criatividade, conteúdo, produção audiovisual, digital, dados, influência e meios. Isso permite responder a projetos mais complexos sem depender apenas da estrutura local”, concretiza.

Para os clientes, o ganho está sobretudo na capacidade de entrega. Mantemos a proximidade e a agilidade de uma agência independente, mas com acesso a uma rede muito mais ampla de competências”, prossegue, salientando também uma “complementaridade interessante” entre as duas operações. “A Tech & Soul tem uma experiência forte em fintech, tecnologia e inovação digital. Nós temos um percurso sólido em turismo, alimentação, grande consumo e marcas institucionais. Essa combinação aumenta a capacidade de desenvolvermos soluções mais relevantes”, conclui.

Sobre o posicionamento orientado para os países de língua portuguesa, Edson Athayde defende que ainda existe muito espaço para uma agência focada no universo lusófono. “Apesar das diferenças entre Portugal, Brasil, Angola, Moçambique ou Cabo Verde, há referências culturais e emocionais comuns: a importância do storytelling, a proximidade humana, a relação com o humor, com a música, o comportamento social e o consumo de conteúdos”, descreve.

Depois, muitas empresas brasileiras olham para Portugal como porta de entrada para a Europa. Ao mesmo tempo, marcas portuguesas querem crescer em África ou reforçar presença no Brasil. “Ter uma agência que entende esses diferentes contextos culturais e de negócio torna-se uma vantagem competitiva importante”, acredita.

“Gostamos da ideia de sermos especialistas numa comunidade global com mais de 260 milhões de falantes de português. Durante muitos anos, a publicidade internacional foi pensada sobretudo a partir de mercados anglo-saxónicos. Nós acreditamos que os mercados lusófonos têm importância e identidade cultural suficientes para justificar uma abordagem própria“, resume.

Os sócios da nova Edson Tech & Soul são Edson Athayde e Vera Barros, tal como acontecia na FCB Lisboa. “Essa continuidade é importante porque garante estabilidade na liderança, na cultura da agência e na relação com os clientes. A mudança de marca não representa uma rutura com o trabalho desenvolvido nos últimos anos. Representa uma evolução do projeto, agora mais alinhada com aquilo que imaginamos para o futuro da agência“, conclui o criatico.

“Respeitamos muito o passado, mas quem vive do ontem é museu. A Edson Tech & Soul não nasce como um exercício nostálgico nem como uma simples mudança de nome. Nasce como um novo projeto estratégico, preparado para responder às transformações do mercado e aos novos modelos de trabalho”, acredita Edson Athayde.