Os robôs humanoides da Figure AI já provaram que conseguem trabalhar durante mais de 30 horas seguidas sem paragens. Contudo, numa prova direta contra um ser humano, quem terá feito melhor figura?
Há poucos dias, informámos que os robôs humanoides da Figure AI tinham ultrapassado as 30 horas de operação contínua e autónoma numa demonstração ao vivo, um feito impressionante.
Agora, a mesma empresa voltou a colocar as suas máquinas à prova, mas adicionou um adversário inesperado do outro lado da linha de produção: um ser humano.
O desafio: 10 horas, uma tarefa simples, dois concorrentes
“Aborrecida”, a Figure AI organizou uma competição ao vivo com uma duração de 10 horas, onde robôs F.03 e um trabalhador humano foram postos frente a frente numa tarefa: identificar o código de barras de cada encomenda e colocá-la numa passadeira com o código voltado para baixo.
Nada de extraordinário em teoria, mas o suficiente para exigir reação rápida e motricidade fina, áreas onde os robôs ainda têm mais dificuldade em igualar os humanos.
Durant as 10 horas:
- Os robôs trabalharam em turnos: ao fim de cerca de uma hora, um substituía o outro, e depois de mais três horas a rotação repetia-se.
- O humano teve direito ao que a lei exige: pausas e hora de almoço.
Como era de esperar, enquanto o trabalhador humano descansava, as máquinas continuavam a trabalhar sem parar.
Durante a transmissão em direto, a plataforma de apostas Polymarket abriu mercados sobre o vencedor, com muitos a apostar na vitória dos humanoides.
Humano bateu as odds
Após 10 horas, o placar mostrava 12.924 encomendas pelo trabalhador humano contra 12.732 pelos robôs. Uma diferença de apenas 192 unidades, mas suficiente para garantir a vitória ao homem.
Congrats to Aime!! He said his left forearm is basically broken 😂
Final scores:
→ F.03: 12,732 packages (2.83 seconds/package)
→ Aime: 12,924 packages (2.79 seconds/package)This is the last time a human will ever win pic.twitter.com/CalDzPZz4d
— Brett Adcock (@adcock_brett) May 18, 2026
Os números são ainda mais impressionantes quando analisados ao detalhe. A velocidade média de ambos diferiu apenas 0,04 segundos por encomenda, ou seja, 2,79 segundos para o humano contra 2,83 para as máquinas.
Trata-se de uma margem quase imperceptível, que mostra o quão próximo está o desempenho dos robôs do nível humano neste tipo de tarefas repetitivas.
No final do turno, o vencedor recebeu uma cerveja, mãos calejadas e uma dor no antebraço esquerdo. Os robôs humanoides continuaram a ordenar encomendas, com a transmissão a continuar em direto.
We got bored. Time for Man vs. Machine https://t.co/HIqPGygWnF
— Brett Adcock (@adcock_brett) May 17, 2026
O que torna este resultado verdadeiramente relevante não é o facto de o humano ter ganho, mas o quão perto os robôs chegaram.
Durante anos, a robótica industrial baseou-se em braços mecânicos repetitivos, programados para uma única função.
O que a Figure AI tem demonstrado com estas partilhas recentes é que máquinas com forma humana são capazes de trabalhar em ambientes pensados para pessoas, a velocidades comparáveis às de um trabalhador experiente.
Se a isso juntarmos a demonstração das mais de 30 horas de operação contínua que noticiámos há dias, percebemos que os robôs humanoides ainda não batem os humanos em tarefas que exigem reação rápida e destreza fina, mas a diferença é a cada dia mais curta.
A tecnologia por detrás das máquinas
Por detrás desta performance está o Helix, o sistema de Inteligência Artificial próprio da Figure AI, apresentado em fevereiro de 2025.
O Helix-02, a versão mais recente, é uma rede neuronal unificada que permite aos robôs coordenar movimento, manipulação de objetos e equilíbrio a partir de um único sistema, sem depender de controladores separados para cada função.
O sistema processa dados de câmaras na cabeça e nas palmas das mãos, sensores táteis nas pontas dos dedos e informação de cinestesia de todo o corpo, traduzindo tudo isso em movimentos coordenados em tempo real.
Uma das grandes vantagens deste sistema é que, quando algo corre menos bem, o próprio Helix trata do assunto de forma autónoma, sem necessidade de intervenção humana.
