Manuel Monteiro

Nenhum dos ex-líderes do partido pareceu muito interessado no palco do Congresso. Não era propriamente o evento mais interessante para se estar neste momento: o partido está no Governo mas com influência reduzida, não há cargos no horizonte para distribuir, postos eleitorais para completar, o debate interno não passa do pouco entusiasmante onde-é-melhor-estar-daqui-a-três anos. Dá ideia que todos os ex perderam o interesse na vida político-partidária. Menos um. O regressado Manuel Monteiro (que voltou ao partido precisamente na era de Nuno Melo) voltou a fazer o gosto ao pé ao aparecer de surpresa e ao subir ao palco para discursar. Fez uma longa intervenção e, como sempre, muito doutrinária. Continua com contas para ajustar com quem levou o país para caminhos mais liberais, confundindo o eleitorado e sem deixar de provocar que a sigla tenha secundarizado a ideia do “Partido Popular” – o partido assumidamente de direita e eurocético, desconfiado com aprofundamento do projeto europeu, para onde quis levar o CDS na sua liderança. Pelo meio ainda acertou o passo aos “pesos pesados” do partido que não apareceram, dizendo-lhes que, nesse caso, apareceu ele, o “peso leve”. Uma tirada irónica que o coloca numa divisão exclusiva. É o único que está lá, mesmo quando os tempos estão mais difíceis – e os congressistas reconheceram isso, sendo um dos poucos discursos que levantou a sala num aplauso – mas foi sobretudo o único a deixar as cabeças centristas a pensar se para Monteiro o CDS é apenas uma memória de carreira ou se ainda se mantém uma causa de futuro.