Uma startup norte-americana revelou uma plataforma robótica que troca pneus em metade do tempo, sem intervenção humana e sem sequer remover a roda.
Há anos que o debate sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) no emprego se centra nos chamados trabalhos de colarinho branco, ou seja, advogados, contabilistas e programadores.
Por sua vez, os trabalhos manuais, que exigem destreza física e adaptação ao ambiente real, têm sido considerados território seguro.
Contudo, agora, uma startup de Boston, de nome Automated Tire, apresentou uma plataforma robótica com IA, capaz de trocar pneus, equilibrar rodas e inspecionar veículos. Tudo isto, de forma autónoma, sem qualquer intervenção humana.
Plataforma robótica SmartBay para mudar pneus
A plataforma SmartBay não funciona como uma linha de montagem industrial tradicional, que repete sempre os mesmos movimentos fixos. Em vez disso, utiliza visão computacional e machine learning para aprender com cada experiência anterior e adaptar-se às especificidades de cada veículo.
Segundo o diretor-executivo, Andy Chalofsky, trata-se da “próxima geração do posto de serviço automóvel”, concebida para automatizar tarefas que tradicionalmente exigem mecânicos experientes.
A grande novidade técnica está no método de troca: o robô não remove a roda do veículo.
Enquanto numa oficina convencional o técnico desaperta os parafusos e retira a roda completa, o SmartBay eleva o carro como um elevador tradicional e desmonta o pneu diretamente, sem nunca tirar a roda do sítio. Este processo está protegido por uma patente da empresa.
Depois de montar o novo pneu, o sistema procede ao equilíbrio recorrendo à tecnologia patenteada Real Force Balance, que, segundo Chalofsky, equilibra “todo o conjunto rotativo na zona da roda”, prometendo ser “o equilíbrio mais completo e preciso disponível no mercado”.
Tecnologia eficiente pode ser uma ameaça?
Os dados apresentados pela empresa indicam que uma troca de pneus realizada por um mecânico humano demora, em média, 75 minutos. Por sua vez, o SmartBay executa o mesmo trabalho em 30 minutos.
Além disso, um único técnico a supervisionar até três baías em simultâneo consegue tratar de 24 pneus por hora, contra apenas quatro pneus por hora e quinze minutos nas oficinas tradicionais.
Para Andy Chalofsky, o método tradicional não passa de “pancadas ao estilo das cavernas” com um martelo numa “oficina barulhenta e com mau cheiro”.
Entretanto, sabe-se que a Automated Tire não pretende vender o SmartBay, mas alugá-lo a concessionárias, lojas de pneus e centros de serviço por 4900 dólares por mês.
A empresa argumenta que este valor é mais económico do que contratar e manter técnicos especializados, tendo em conta salários, formação e rotatividade.
Posto isto, o SmartBay levanta questões sérias sobre o futuro dos técnicos de serviço automóvel. Se a tecnologia funcionar como prometido em escala, a necessidade de mão de obra especializada neste setor poderá diminuir de forma significativa.
Aliás, a startup responsável posiciona a redução de pessoal como uma vantagem comercial, na medida em que resulta em menos dependência de técnicos humanos, menor tempo de resposta e menores custos operacionais.
