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Numa reviravolta inesperada, os democratas conseguiram garantir esta terça-feira a viabilização inicial de um projeto de lei no Senado que visa travar a ofensiva militar contra o Irão, lançada há quase três meses.
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Apesar do resultado de 50 votos favoráveis contra 47 negativos, ainda que o documento consiga luz verde nas duas câmaras — ambas de maioria republicana —, o cenário mais provável é o do veto presidencial. No entanto, para os democratas, este passo envia uma mensagem política com força suficiente para obrigar o Presidente a reavaliar a sua estratégia militar no conflito.
O sucesso desta iniciativa deveu-se ao apoio de quatro senadores republicanos e à ausência de outros três — John Cornyn (Texas), Tommy Tuberville (Alabama) e Thom Tillis (Carolina do Norte) — que, ao não participarem na votação, permitiram que a balança pendesse para o lado democrata pela primeira vez. No campo oposto, a única dissidência na bancada democrata veio de John Fetterman (Pensilvânia), que se isolou ao votar contra a iniciativa do próprio partido.
Um dos senadores republicanos que votou a favor justificou a decisão pela falta de transparência da administração: “Embora eu apoie os esforços do Governo para desmantelar o programa nuclear do Irão, a Casa Branca e o Pentágono deixaram o Congresso no escuro sobre a Operação Epic Fury”, afirmou Bill Cassidy, citado pela NBC News.
O mesmo senador destacou o crescente mal-estar entre o eleitorado conservador. “No Louisiana, ouvi pessoas, incluindo apoiantes do Presidente Trump, que estão preocupadas com esta guerra. Até que o Governo forneça esclarecimentos, nenhuma autorização ou prorrogação do Congresso pode ser justificada”, acrescentou.
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Para o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, o desfecho prova que a estratégia da oposição está a surtir efeito. “Voto a voto, os democratas estão a romper o muro de silêncio dos republicanos sobre a guerra ilegal de Trump”, declarou após a votação. “Hoje ficou provado que a nossa pressão está a funcionar: os republicanos estão a começar a ceder e o ímpeto para detê-lo está a crescer. Não vamos desistir”, reforçou ainda.
A resolução, liderada pelo senador democrata Tim Kaine, orienta o Presidente a “retirar as forças armadas dos Estados Unidos das hostilidades dentro ou contra o Irão, a menos que explicitamente autorizadas por uma declaração de guerra ou uma autorização específica para o uso da força militar”.
Desde que o conflito eclodiu, a oposição já tinha tentado, sem sucesso, aprovar sete resoluções de teor semelhante, que contavam apenas com o apoio isolado do republicano Rand Paul (Kentucky).