Novas orientações para doentes e profissionais foram publicadas na revista científica “Allergy”, numa iniciativa liderada por especialistas da FMUP.
Os investigadores da FMUP Bernardo Sousa Pinto e Rafael José Vieira lideraram o trabalho agora publicado. Foto: FMUP
Há novas recomendações para o tratamento da rinite alérgica. O documento, publicado na revista científica Allergy, é assinado por um painel liderado por especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
Esta revisão das guidelines internacionais foca-se nos tratamentos da rinite alérgica, uma doença crónica comum que tem um impacto significativo na produtividade escolar e laboral, bem como na qualidade de vida. Dirigidas a doentes e profissionais de saúde, estas orientações dão prioridade a questões relacionadas com medicamentos para tratar a doença e controlar os sintomas, que incluem espirros, pingo ou obstrução nasal e comichão nos olhos e nariz.
“Estas guidelines são inovadoras na medida em que não só exploram diferenças entre classes de medicamentos, mas também entre medicamentos individuais dentro da mesma classe, ajudando os profissionais de saúde e os doentes a identificar os medicamentos mais eficazes e seguros”, referem Bernardo Sousa Pinto e Rafael José Vieira, investigadores da FMUP que lideram este trabalho, no âmbito do grupo Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma (ARIA) e da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica (EAACI).
Para além dos ensaios clínicos que avaliaram os medicamentos em questão, “estas guidelines têm por base dados introduzidos pelos doentes numa aplicação móvel dedicada ao registo de sintomas de rinite alérgica no dia a dia. Estas são também as primeiras recomendações que têm em consideração o impacto dos medicamentos no planeta”.
“Guias” para uma tomada de decisão mais informada
Os investigadores da FMUP salientam que “estas recomendações não são ordens, mas guias para a tomada de decisão com base na evidência científica mais recente. No entanto, estas podem não se aplicar a todos. Continuamos a encorajar os médicos a personalizarem os tratamentos consoante os sintomas e o contexto”.
Os especialistas avisam que é preciso ter em conta diferentes dimensões, quando se escolhe um anti-histamínico por via oral. Uma delas é a eficácia, mas há outras, como a possibilidade de efeito sedativo, a necessidade de ajustar a dose em caso de problemas renais ou hepáticos e as potenciais interações com outros medicamentos ou mesmo com sumos de frutas. Devem ser considerados ainda aspetos como a aceitabilidade e os custos.
Uma das principais alterações aponta para o desaconselhamento do uso de descongestionantes nasais e para a recomendação do uso de anti-histamínicos orais em vez de antagonistas dos recetores dos leucotrienos ou de combinações destas duas classes de fármacos.
Comparando tratamentos nasais com tratamentos orais, esta revisão é a favor dos corticosteroides intranasais, administrados em spray, em vez dos anti-histamínicos orais. Quanto ao tratamento de sintomas oculares, o documento prefere os sprays nasais ou os anti-histamínicos de toma oral aos anti-histamínicos oculares.
Bernardo Sousa Pinto e Rafael José Vieira, com Jean Bousquet, lideraram a equipa que atualizou as recomendações europeias para o tratamento da rinite alérgica (Allergic Rhinitis and Its Impact on Asthma (ARIA)-EAACI Guidelines – 2024-2025 Revision), e da qual fizeram parte os também professores e investigadores da FMUP, João Fonseca e Ana Margarida Pereira.