MARIE JEANNE MUNYERENKANA/EPA

Nsimire coloca luvas de borracha antes de interagir com as trabalhadoras domésticas como medida preventiva contra o Ébola, em Goma, no Congo

A RD Congo é o primeiro adversário da Seleção das Quinas, e já cancelou jogos de treino por causa do novo surto de Ébola — que não tem ainda vacina ou tratamento. Adeptos congoleses que já tenham visto deverão provar que passaram 21 dias fora dos países abrangidos pelas restrições.

A seleção da República Democrática do Congo, primeira adversária de Portugal daqui a menos de um mês, na estreia no Mundial 2026, cancelou a etapa do estágio que estava prevista para Kinshasa, capital do país.

O cancelamento foi devido às novas limitações de saúde pública impostas na sequência de um novo surto de Ébola na África Central que já matou pelo menos 131 pessoas e levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar emergência de saúde pública mundial.

Apesar de tudo, responsáveis da seleção citados pelo Politico dizem que os planos de viajar para os Estados Unidos para a preparação e participação no Mundial de 2026 mantêm-se e que o programa de preparação continuará na Europa e depois em Houston, no Texas, antes do início da competição, em 17 de junho.

A equipa tinha previsto reunir-se em Kinshasa a 24 de maio, realizar uma sessão pública no Estádio Tata a 26 de Maio e partir no dia seguinte para a Europa num voo fretado. Esse plano foi entretanto abandonado.

De acordo com o mesmo porta-voz da seleção congolesa, os jogadores encontram-se atualmente fora do país, depois dos jogos dos respetivos clubes, e não regressarão à RDC. Em vez disso, deverão iniciar o estágio na Europa ainda este mês. A chegada a Houston está prevista para cerca de 10 de junho.

As preocupações da FIFA e dos EUA aumentaram depois de a Organização Mundial da Saúde declarar o surto de Ébola uma emergência de saúde pública internacional. Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA impuseram uma restrição de 30 dias à entrada de cidadãos sem passaporte norte-americano que tenham estado na RDC, no Uganda ou no Sudão do Sul nos 21 dias anteriores.

As autoridades norte-americanas dizem estar a trabalhar com a FIFA para garantir viagens seguras. Os adeptos congoleses que já tenham visto deverão provar que passaram 21 dias fora dos países abrangidos pelas restrições. Já os que ainda não obtiveram visto poderão enfrentar dificuldades, uma vez que a embaixada dos EUA na RDC suspendeu temporariamente os serviços de vistos de imigração e não imigração.

A FIFA afirmou estar em contacto com a federação congolesa e com autoridades de saúde dos países anfitriões e da OMS, sublinhando que a segurança sanitária continua a ser uma prioridade.

A OMS alertou que “a elevada taxa de positividade das amostras iniciais e a confirmação de casos em Kampala e Kinshasa [capital da RDCongo] apontam para um surto potencialmente muito maior do que o que está a ser detetado atualmente“.

Não existem atualmente tratamentos ou vacinas aprovados especificamente para o vírus Bundibugyo.


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