O chá de limão ocupa um espaço conhecido entre as bebidas associadas ao cuidado com a saúde. Frequentemente combinado a ingredientes como mel, gengibre e hortelã, ele atravessa gerações como uma das preparações mais populares quando o assunto são receitas caseiras.

De fato o uso medicinal da fruta é antigo. Antes mesmo da descoberta da vitamina C, ela já aparecia em registros históricos sobre o tratamento do escorbuto.

Hoje, o interesse pelo chá acompanha o avanço de pesquisas, que investigam as propriedades e aplicações do limão.

Vitamina C presente no limão é importante para combater infecções, fortalecer a resposta imunológica e auxiliar na absorção do ferro. Foto: Xenia/Adobe Stock

Composição e ativos

Embora existam diferentes variedades consumidas no Brasil, a base química é semelhante. A diferença costuma estar na proporção dos compostos.

“Independentemente de ser limão siciliano, taiti ou galego, a base são os ácidos cítricos”, explica a nutricionista Vanderlí Marchiori, especialista em fitoterapia e fundadora da Associação Paulista de Fitoterapia (APFIT).

Ela destaca que o ácido cítrico representa entre 5% e 10% da composição e é o grande responsável pelo sabor característico do limão. A fruta possui ainda ácido ascórbico (vitamina C), antioxidante que atua na imunidade; limonoides, compostos associados a efeitos antioxidantes; e óleos essenciais, substâncias aromáticas concentradas principalmente na casca. Um dos componentes desses óleos é o limoneno, estudado por sua ação antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana.

Uma revisão científica sobre o Citrus limon (limão siciliano) identificou também flavonoides como hesperidina (relacionada à saúde cardiovascular), quercetina (ação antioxidante), eriocitrina (antioxidante típico dos cítricos) e naringina (associada a efeitos metabólicos), além de ácidos fenólicos (também com ação antioxidante).

Benefícios

Os benefícios do limão geralmente são atribuídos a seu conjunto de antioxidantes, vitaminas e substâncias bioativas. Veja alguns dos efeitos que têm sido pesquisados:

Os flavonoides e compostos fenólicos encontrados no limão ajudam a combater radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças crônicas.

Segundo Vanderlí, os bioflavonoides presentes na polpa e na casca da fruta têm atividade antioxidante importante. Revisões científicas apontam que flavonoides como hesperidina e eriocitrina são alguns dos principais responsáveis por essa ação.

  • Efeito anti-inflamatório

O limão tem potencial anti-inflamatório, cita Vanderlí. Sobre esse ponto, a mesma revisão identificou ações dessa natureza em extratos, sucos e óleos essenciais do Citrus limon.

Esses efeitos vêm sendo estudados principalmente em laboratório e modelos experimentais, por isso há a ressalva de que ainda são necessários mais estudos em humanos.

Segundo Vanderlí, quando consumidos em grande quantidade, os compostos presentes no limão também podem atuar na redução do LDL, conhecido como “colesterol ruim”.

Aqui, a literatura científica sugere que flavonoides cítricos podem participar do metabolismo lipídico e exercer efeitos cardioprotetores.

Alguns estudos também associam o consumo frequente de limão a impactos positivos na pressão arterial, embora os mecanismos ainda estejam em investigação.

Leia também

Talvez esse seja o benefício mais conhecido. De acordo com Michelle Jorge, farmacêutica e coordenadora assistente do Laboratório de Práticas Alternativas, Complementares e Integrativas em Saúde (Lapacis) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a vitamina C presente na fruta é importante para combater infecções, fortalecer a resposta imunológica e auxiliar na absorção do ferro.

Segundo consta na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), a quantidade de vitamina C pode variar conforme o tipo. O estimado é que em 100g de limão-cravo, por exemplo, haja 32,8 mg do micronutriente essencial.

Vanderlí acrescenta que, além da vitamina C, os limonoides e óleos essenciais parecem contribuir para esse efeito. Ela reforça, contudo, que a vitamina C é altamente sensível à oxidação e, por isso, o ideal é consumir o chá logo após o preparo, sem guardar para depois.

  • Ajuda em sintomas respiratórios

O uso do limão em preparações para gripes e resfriados também é bastante difundido. Sobre esse ponto, Michelle explica que é o óleo essencial da fruta que tradicionalmente é associado ao alívio da tosse, não o chá em si.

Para esse uso em particular, ela explica que é comum a associação com mel, gengibre, alho e hortelã, já que esses ingredientes apresentam compostos com propriedades anti-inflamatórias ou antimicrobianas.

Bebida pode ser associada a outros ingredientes para potencializar efeitos. Foto: weyo/Adobe Stock

Sobre essas associações, Vanderlí detalha as seguintes propriedades:

  • gengibre: associado a atividade antimicrobiana;
  • alho: possíveis propriedades antivirais e antibacterianas;
  • hortelã: rica em mentol, composto relacionado ao alívio de desconfortos na garganta;
  • mel: associado ao alívio de irritações respiratórias.

Contraindicações

Pessoas com gastrite, úlcera, refluxo gastroesofágico ou sensibilidade dentária devem ter cuidado no consumo do chá de limão, já que a acidez pode agravar sintomas relacionados a essas condições, diz Michelle.

Outro cuidado é evitar a exposição ao sol após manipular a fruta. “O limão possui compostos chamados furocumarinas que, em contato com o sol, causam queimaduras e manchas escuras graves na pele”, alerta a farmacêutica. O fenômeno é conhecido como fitofotodermatite.

Leia também

Como preparar o chá

Para Vanderlí, o segredo está em usar a fruta inteira. “Corte o limão em quatro, com casca, e ferva em um litro de água durante dez minutos”, orienta. A nutricionista sugere o uso de um limão grande ou dois pequenos.

Depois disso, basta desligar o fogo, esperar amornar, coar e consumir. Ela pontua que a casca deixa a bebida mais amarga, mas aumenta a presença de óleos essenciais.