Kevin Warsh já é o novo presidente da Reserva Federal (Fed), depois de ter tomado posse esta sexta-feira numa cerimónia na Casa Branca, sucedendo a Jerome Powell, que manteve uma relação tensa com o chefe de Estado norte-americano, Donald Trump.


“Não há ninguém mais bem preparado na América para liderar a Fed”, disse Donald Trump num discurso antes do juramento. Sem falar diretamente na questão do corte de juros, em que tem insistido nos últimos tempos, Trump pediu que a Fed se concentre na sua missão original – a estabilidade dos preços e o pleno emprego – depois de ser ter “desviado” para questões como as alterações climáticas.


Perante os receios de que a Fed poderia perder autonomia com o novo presidente, Trump pediu a Warsh para “ser totalmente independente, não olhar para mim, não olhar para ninguém” e apenas “fazer as coisas à sua maneira e fazer um grande trabalho”.


Trump também garantiu que Warsh vai “salvaguardar a integridade da Fed“, que vai “tomar as suas próprias decisões, esperemos que bem”, mas sempre ouvindo a opinião do novo presidente. Esta é já a segunda passagem de Warsh pela Fed, depois de ter sido o mais jovem governador a integrar o conselho do banco central, tendo feito entretanto carreira na banca de investimento.      


O Presidente dos EUA pediu a Warsh para não esquecer a atividade económica, dizendo que “quando a economia está a crescer, temos de ser um pouco loucos e deixá-la acelerar”. Fazendo referência aos ganhos de Wall Street na sessão desta sexta-feira e aos recordes alcançados recentemente, Trump disse a Warsh. “Eles gostam de si”.


Depois da confirmação pelo comité bancário e pelo plenário do Senado, esta última na semana passada, Warsh prestou juramento com o juiz do Supremo Clarence Thomas. No discurso que se seguiu ao juramento, Warsh elegeu o antigo presidente da Fed Alan Greenspan como referência, indicado que o banco central também pode contribuir para a prosperidade do país.


Numa referência também à sua autonomia, Warsh lembrou que “o nosso mandato na Fed é promover a estabilidade de preços e o pleno emprego” e que “quando perseguimos estes objetivos com sabedoria e clareza, independência e determinação, a inflação pode ser mais baixa, o crescimento mais forte e o rendimento que e leva para casa mais elevado”.


Warsh chega à liderança da Fed com a inflação em níveis bastante acima da meta de 2% do banco central, impulsionada sobretudo pela subida dos preços dos combustíveis decorrente do conflito no Médio Oriente. Apesar da insistência de Trump em que a Fed baixe as taxas de juro, com constantes pressões junto de Powell nesse sentido, o cenário inverso começa a tomar forma, com vários responsáveis do Comité de Operações em Mercado Aberto (FOMC) a defenderem uma subida das taxas caso os preços se mantenham elevados.          


No seu discurso, Trump fez também referência aos preços elevados: “Queremos travar a inflação, mas não queremos travar a grandiosidade”.