O que começou como um desafio de oito horas tornou-se num marco histórico para a robótica industrial autónoma, protagonizado por um robô humanoide da empresa norte-americana Figure AI.

Foi através das redes sociais que Brett Adcock, diretor-executivo da Figure AI, foi partilhando os vários marcos atingidos pelo robô humanoide F.03 da empresa.

O que estava planeado como um teste de oito horas numa linha logística acabou por se prolongar durante mais de oito dias, continuamente, conforme alegado pela empresa.

A notícia foi, mais uma vez, avançada pelas redes sociais, e celebrada com uma garrafa de champanhe: o robô humanoide Figure 03 completou 200 horas consecutivas de operação totalmente autónoma sem registar uma única falha.

Um desafio alegadamente orgânico

Tudo começou no dia 13 de maio, quando a Figure AI transmitiu, em direto, robôs humanoides a completarem turnos completos de trabalho numa instalação de triagem de encomendas, sem qualquer intervenção humana.

A ideia inicial era demonstrar que o Figure 03 conseguia manter o desempenho de um trabalhador humano durante um turno de trabalho normal.

Contudo, o robô foi além disso e processou mais de 100 mil pacotes, ultrapassou situações imprevistas e não parou. A transmissão continuou e, a 22 de maio, atingiu as 200 horas.

Esta semana, a Figure AI organizou uma competição ao vivo com uma duração de 10 horas, onde robôs F.03 e um trabalhador humano foram postos frente a frente numa tarefa: identificar o código de barras de cada encomenda e colocá-la numa passadeira com o código voltado para baixo.

O Figure 03 e a tecnologia Helix

O Figure 03 é o modelo mais recente da empresa norte-americana, representando um salto considerável comparativamente às gerações anteriores.

Conforme já vimos, o cérebro do robô é o sistema de Inteligência Artificial Helix-02, que controla o corpo inteiro, desde pernas, tronco e braços até dedos, funcionando como um sistema unificado.

Uma das mudanças mais relevantes foi a substituição de mais de 109 mil linhas de C++ escritas manualmente por um controlador neural treinado com mais de mil horas de dados de movimento humano real.

O resultado é um robô que se move, equilibra e manipula objetos de forma fluida e contínua, sem transições abruptas entre comportamentos pré-programados.

O que é que isto significa?

Duzentas horas sem falhas não é apenas um número impressionante, mas um argumento industrial. Para que os robôs humanoides sejam adotados em larga escala em armazéns e fábricas, não basta serem capazes; têm de ser previsíveis e fiáveis durante longos períodos.

A Figure AI acaba de demonstrar exatamente isso. Com concorrentes como a Tesla, com o Optimus, e várias empresas chinesas a acelerar o ritmo, 2026 está a confirmar-se como o ano em que a robótica humanoide deixou de ser apenas uma promessa industrial.

 

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