Smithsonian National Museum of Natural History

Biota ediacarana

Fósseis no Canadá desvendam as verdadeiras origens da reprodução sexual nos animais.

Uma descoberta nas montanhas remotas do noroeste do Canadá está a obrigar os paleontólogos a rever a cronologia das origens da reprodução sexual nos animais.

Os fósseis encontrados nas Mackenzie Mountains, nos Territórios do Noroeste, indicam que organismos do género Funisia já se reproduziam sexualmente há cerca de 567 milhões de anos — entre cinco e dez milhões de anos antes do que se pensava.

Funisia era um animal de corpo mole, imóvel, fixo ao fundo marinho, com uma aparência que lembraria vagamente um coral. Apesar de pouco impressionante à primeira vista, o organismo é considerado o mais antigo exemplo conhecido de reprodução sexual entre animais, sublinha o IFL Science. Como não se deslocava, a reprodução não envolveria contacto direto entre indivíduos: os animais libertariam espermatozoides e óvulos na coluna de água, onde as células reprodutivas se encontrariam.

A descoberta foi feita num leito fossilífero que preserva mais de uma centena de animais multicelulares pertencentes à chamada biota ediacarana, um conjunto de formas de vida que antecede a explosão de diversidade animal do Câmbrico.

Até agora, os cientistas dividiam o registo fóssil desta biota em três grandes fases: Avalon, entre 575 e 559 milhões de anos; White Sea, entre 559 e 550 milhões de anos; e Nama, entre 550 e 538 milhões de anos. Os novos fósseis pertencem à fase White Sea, mas serão significativamente mais antigos do que os exemplares desta assembleia conhecidos anteriormente.

A reprodução sexual representou uma viragem decisiva na história da vida. Durante milhares de milhões de anos, os seres vivos foram dominados por microrganismos que se reproduziam de forma assexuada, criando cópias de si próprios. Ao combinar material genético de dois indivíduos, o sexo aumentou drasticamente a diversidade genética e acelerou a evolução, abrindo caminho à variedade de animais que mais tarde ocupariam os oceanos, a terra e o ar.

Oo novo local tem grande potencial para compreender a transição em que a vida se tornou maior, mais complexa e inequivocamente animal, defende o autor principal do estudo, Scott Evans.

Outro aspeto importante deste estudo é o ambiente onde os fósseis foram encontrados. O local parece corresponder a águas mais profundas do que aquelas anteriormente associadas à assembleia White Sea. Para os investigadores do estudo publicado na Science Advances, isto reforça a ideia de que algumas das primeiras inovações evolutivas dos animais, incluindo a reprodução sexual, poderão ter surgido no oceano profundo, um ambiente escuro, mas relativamente estável em temperatura e oxigénio.


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