Um alegado ataque informático coloca a Rádio Popular no centro das atenções. Um cibercriminoso está a reivindicar a posse e a venda de uma base de dados que conterá informações detalhadas de aproximadamente 364 mil clientes da conhecida retalhista portuguesa.
Dados de clientes da Rádio Popular à venda na dark web
Embora as alegações ainda careçam de confirmação oficial, a estrutura dos dados apresentada sugere um acesso profundo aos sistemas internos da empresa. Ao contrário dos habituais ataques que expõem apenas credenciais básicas, este incidente foca-se numa fuga massiva de dados operacionais e de gestão de clientes (CRM).
O pacote colocado à venda inclui contactos telefónicos, endereços de email, profissões, datas de nascimento e, de forma mais sensível, números de identificação fiscal (NIF). Além disso, o atacante exibe um histórico detalhado que cruza preferências de marketing, moradas de entrega, métodos de pagamento e o registo completo de compras dos utilizadores.
A inclusão de dados comportamentais e fiscais eleva exponencialmente a gravidade da situação. Especialistas alertam que “conjuntos de dados que contêm tanto informações de identidade do cliente quanto metadados comportamentais ou de pedidos são especialmente valiosos para os cibercriminosos”. Esta combinação permite criar campanhas de fraude e falsificação de identidade cirúrgicas e altamente convincentes.
🇵🇹 A threat actor is claiming to sell a database allegedly linked to Rádio Popular containing approximately 364,000 customer records.
According to the underground post, the exposed data allegedly includes:
• customer contact information
• email addresses
• phone numbers
•… pic.twitter.com/SPwe3yZ4eN— Dark Web Intelligence (@DailyDarkWeb) May 23, 2026
Base de dados com informação sensível exposta a criminosos
A confirmarem-se os dados expostos, o cenário ultrapassa a simples quebra de privacidade. A presença de identificadores fiscais e históricos de compras pode resultar em “implicações elevadas de privacidade e conformidade sob o RGPD”. No imediato, os utilizadores arriscam-se a ser alvo de esquemas de engenharia social, campanhas de phishing direcionadas e burlas baseadas em falsas notificações de entrega ou chamadas de suporte que utilizam detalhes reais de encomendas passadas.
A prudência dita que, nesta fase, o caso seja tratado com cautela, uma vez que “os intervenientes em fóruns clandestinos frequentemente exageram a contagem de registos, o âmbito da violação ou a legitimidade da fonte”. Contudo, o nível de detalhe do esquema partilhado reforça a forte possibilidade de existir um acesso efetivo a registos comerciais autênticos.
Face à ameaça, a recomendação para as organizações foca-se na auditoria imediata de integrações de terceiros e na rotação de credenciais internas. Para os consumidores, o conselho é claro: desconfiar de qualquer contacto que use dados de compras anteriores para validar a sua identidade.
