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O stress causado pela cultura obcecada com o trabalho está a levar a geração Z a optar por anos sabáticos e até a despedir-se do emprego.

Um número crescente de millennials e da Geração Z está a abandonar as carreiras tradicionais em busca de um equilíbrio mais saudável entre a vida profissional e a vida pessoal, impulsionando o surgimento dos chamados “gap years” (ano sabático) e “mini-reformas”, à medida que os níveis de esgotamento profissional continuam a aumentar entre as gerações mais jovens.

Outrora associados sobretudo a estudantes que tiravam um tempo de pausa entre os estudos e o trabalho, os anos sabáticos estão a ser repensados ​​pelos profissionais que procuram alívio das pressões da cultura empresarial, das longas jornadas de trabalho e da incerteza económica. Muitos estão a deixar empregos estáveis, a reduzir o seu nível de vida e a utilizar as suas poupanças para fazer pausas prolongadas no trabalho a tempo inteiro.

Entre eles está Julia Fei, uma ex-cientista de dados de 29 anos que recentemente deixou o seu emprego bem remunerado na área da tecnologia em Nova Iorque sem ter outra posição em vista. Depois de anos a trabalhar no dinâmico setor tecnológico, Fei disse que se sentia cada vez mais exausta com o ritmo das mudanças, particularmente com o rápido avanço da inteligência artificial.

“Há muitas mudanças a acontecer com a IA e o movimento tecnológico”, disse ao New York Post, explicando que queria perseguir objetivos mais pessoais e criativos. Fei passou vários anos a juntar dinheiro antes de se demitir e se mudar temporariamente para Cantão, na China, onde vivem os seus pais reformados.

Ao subarrendar o seu apartamento em Nova Iorque e ao viver com a família, conseguiu reduzir significativamente as suas despesas enquanto explorava novas oportunidades, incluindo o desenvolvimento do seu próprio produto tecnológico e a criação de conteúdos online.

Apesar da liberdade, Fei admitiu que a transição não foi fácil devido à dificuldade de lidar com a perda da rotina e a incerteza que acompanha o abandono de uma carreira estável.

Os especialistas financeiros afirmam que esta tendência crescente reflete uma insatisfação mais ampla entre os trabalhadores mais jovens. De acordo com a National Alliance on Mental Illness (NAMI), 74% da Geração Z e dos millennials reportam níveis moderados a elevados de burnout. Em plataformas de redes sociais como o TikTok, a hashtag #adultgapyear ganhou força, com os utilizadores a partilharem frustrações com a “cultura da correria” e a discutirem abordagens alternativas ao trabalho e à vida.

Outro exemplo é Tammy Armstrong, uma ex-secretária médica de 31 anos da Escócia que deixou a sua carreira de dez anos por se sentir presa numa rotina repetitiva. Desde que começou o seu ano sabático em 2025, Armstrong viajou enquanto trabalhava em empregos temporários e fazia trabalho voluntário no estrangeiro.

Embora tenha enfrentado ansiedade em relação às finanças e o medo de ficar “para trás” na vida, Armstrong diz que a experiência a ajudou a repensar as ideias tradicionais de sucesso.

“Queria sentir-me livre outra vez. Existem outras opções na vida para além do caminho tradicional. A vida não é garantida e trabalhar arduamente toda a vida com o objetivo de eventualmente desfrutar dela na reforma também não é garantido”, afirma.


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