Antonio Pitanga nem sabia o que era figuração, segundo diz, quando foi chamado para fazer uma em “Bahia de Todos os Santos”, de Trigueirinho Neto. Estava em Salvador, em 1960, e, com a coragem de um rapaz de 21 anos, pediu para tentar encarnar um personagem. O diretor negou. Precisava de um negro alto e forte, não magrinho como ele. E que jogasse capoeira. Isso o jovem destemido sabia, aluno do Mestre Pastinha. Foi aprovado no teste e ganhou o papel de Pitanga, que virou o sobrenome artístico de Antonio Luiz Sampaio.
Começou ali a trajetória de um dos atores mais representativos do cinema brasileiro. Embora a Wikipédia registre 57 produções, ele estima já ter feito mais de cem. Do total, 38 estarão na Mostra Pitanga, que acontece de 3 a 29 de junho no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, no Centro da cidade. É o maior panorama já feito de sua carreira. A curadoria é de sua filha, Camila Pitanga, e de Thiago Ortman.
— Galileu Galilei já dizia: essa coisa gira. Está girando, estou de pé, vivo, inteiro, não só recebendo homenagens, mas trabalhando. Isso me alegra muito. Essa mostra é esse movimento — vibra Pitanga, que completará 87 anos em 6 de junho (mas foi registrado no dia 13 porque sua mãe quis agradar a Santo Antônio).