Prestes a completar 40 anos, Giovanna Ewbank resolveu abrir seu coração em uma série de vídeos nas redes, em que mostra um lado mais íntimo e fala sobre angústias, inquietações, culpa e desejos. A conversa gira em torno de temas como maternidade, independência financeira, padrões estéticos e maturidade:
— Acho que pela primeira vez eu parei para realmente olhar para essa mulher que está chegando aos 40. E, quando eu comecei a fazer isso, percebi que existiam muitas perguntas e medos dentro de mim que eu não tinha coragem e tempo de encarar de verdade. Crescemos ouvindo que precisamos dar conta de tudo, performar felicidade, sucesso, maternidade perfeita. Senti vontade de fazer o caminho contrário, sabe? Mergulhei na minha análise para descobrir que inquietações eram essas e então quis criar um espaço mais honesto. Menos personagem e mais real. E foi muito emocionante perceber que, quando eu comecei a falar, muitas mulheres começaram a se reconhecer também. Porque, no fundo, mesmo vivendo vidas muito diferentes, compartilhamos dores muito parecidas. Eu pretendo que esse projeto cresça para outros formatos. Ele vai completo para o YouTube e depois acho que ele tem força para virar outras coisas: videocast, documentário, encontros presenciais.
Apesar de considerar os 40 anos uma idade simbólica, ela também pontua como a sociedade pode ser dura com as mulheres nesta fase da vida:
— Acho que primeiro vem um certo peso, um medo do desconhecido, porque existe uma cobrança social muito cruel em relação ao envelhecimento da mulher. Parece que a mulher precisa lutar contra o tempo o tempo inteiro. E eu acho isso muito violento. Eu trabalho com a minha imagem desde os 15 anos, ganho dinheiro com isso, sempre fui cobrada a performar perfeição no meu trabalho. Mas ao mesmo tempo que esse medo existe, os quase 40 estão me trazendo uma libertação muito bonita. Uma libertação da minha própria imagem. Hoje eu me preocupo menos em agradar todo mundo. Menos em caber. Menos em corresponder a expectativas que na verdade nem eram minhas. Existe uma maturidade que não tem a ver com saber tudo. Pelo contrário. Tem a ver com aceitar que a gente muda, se contradiz, recomeça, erra, começa de novo. E isso é libertador. Eu sinto que estou entrando numa fase mais verdadeira comigo mesma.