O apelo é deixado aos utilizadores que se deparem com a publicação no Facebook: “Não se tornem escravos.” A informação é partilhada em tom de alerta em relação ao surto de hantavírus registado a bordo do MV Hondius, um navio cruzeiro com bandeira dos Países Baixos, que acabou a ter de ser evacuado no Tenerife.
“A mentira sobre o hantavírus só entrou em vigor recentemente, em 7 de maio de 2026”, acusa-se no post, datado de 8 de maio, onde se ressalva que “a patente para a produção da vacina de mRNA contra o hantavírus foi obtida em 24 de abril de 2025”.
“Portanto, a patente foi obtida antes da pandemia e tudo já estava planeado”, conclui-se, e pede-se a quem lê: “Não caiam nessa”.
Na publicação são também partilhadas duas imagens. Uma mostra uma alegada “publicação de patente” nos EUA. A outra um alegado ficheiro das autoridades norte-americanas, dos anos 90, que supostamente prova que o hantavírus não é sequer contagioso.
Uma pesquisa inversa pela imagem da alegada patente para uma vacina contra o hantavírus permite encontrar não uma patente, mas sim um pedido para a mesma. Na sua versão online, é possível consultar o pedido de patente para um “vetor que codifica uma parte de uma proteína viral que poderia ser usada para produzir uma potencial vacina contra o hantavírus”.
“A presente invenção também proporciona composições e utilizações do vetor em métodos de tratamento médico”, lê-se na descrição.
Além disso, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), “não existe tratamento antiviral específico ou vacina licenciada para a infeção por hantavírus“. “O tratamento é de suporte e centra-se na monitorização clínica rigorosa e no controlo das complicações respiratórias, cardíacas e renais”, detalha-se.
Ainda de acordo com a OMS, os hantavírus “infetam naturalmente roedores e são ocasionalmente transmitidos a humanos”. “A infeção nas pessoas pode resultar em doença grave e, frequentemente, em morte, embora as manifestações clínicas variem de acordo com o tipo de vírus e a localização geográfica”, informa também a organização.
Até agora, tem sido documentada “uma transmissão limitada de pessoa para pessoa entre contactos”, assegura também a OMS, pelo que a informação antiga sobre a sua intransmissibilidade é falsa. O vírus respiratório propaga-se, sim, embora se trate de uma disseminação mais restrita.
Conclusão
Conclui-se, assim, que não é verdade que uma vacina contra o hantavírus tenha sido patenteada há exatamente um ano. O registo, de 24 de abril de 2025, não é de uma vacina, mas sim da descoberta de um vetor importante para a eventual produção de uma vacina contra o vírus que causa síndrome respiratória aguda. O pedido de patente tem sido usado como arma de desinformação nas redes sociais.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.
