A Ferrari revelou o Luce em Roma, mas, em Milão, os investidores responderam com uma venda em massa. O lançamento histórico não está, pelo menos para já, a ser celebrado pelos investidores.

Ferrari Luce

Numa cerimónia em Roma, com toda a pompa expectável de uma estreia histórica, a Ferrari apresentou o Luce, nome que em italiano significa “luz” e que a marca descreve como uma palavra que “evoca clareza e direção”.

Enquanto os holofotes brilhavam na capital italiana, as ações da empresa desvalorizavam, em Milão.

As ações da Ferrari chegaram a cair mais do que 6% durante a manhã de terça-feira, acabando a sessão a recuar 6,3% após recuperarem algum terreno.

Conforme recordado pela CNBC, nos últimos 12 meses, o título já acumula uma desvalorização de quase 27%.

Correções após a expectativa

A queda não surpreende quem acompanha os mercados, pois o fenómeno é comum. Normalmente, as ações sobem na antecipação de um evento muito aguardado e corrigem quando este se concretiza.

Neste caso, o Luce era um dos lançamentos mais esperados da indústria automóvel, e o mercado tinha provavelmente já incorporado grande parte do otimismo no preço.

Além disso, a novidade da Ferrari surge num momento em que outras marcas de luxo, nomeadamente a Porsche e a Lamborghini, estão a recuar nos seus planos de eletrificação, justificando a decisão com a fraca procura. Uma vez que a Ferrari está a avançar na direção contrária, os investidores estão a considerar esse risco.


Diretor-executivo da Ferrari está otimista

O diretor-executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, descreveu o lançamento do Luce como um “dia muito, muito importante” para a empresa, o início de “um novo capítulo” na sua história.

Confrontado com a questão de saber se a marca conseguirá satisfazer simultaneamente os clientes tradicionais e uma nova enchente de interessados, Vigna recorreu a uma palavra-chave: respeito.

Quando se tem uma nova tecnologia, é preciso garantir que essa tecnologia está devidamente representada no design; por isso o design tem de ser diferente.

Disse, explicando que o Luce não é um Ferrari disfarçado de elétrico, mas um Ferrari que abraça o elétrico de forma assumida, pelo que, na sua perspetiva, os clientes habituais vão interessar-se por ele e vai atrair novos compradores.

Apesar do otimismo, a bolsa preferiu aguardar provas concretas.

Um carro diferente de tudo o que a Ferrari já fez

O Luce é, de facto, disruptivo. É o primeiro Ferrari com cinco lugares, capaz de atingir os 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e uma velocidade máxima próxima dos 310 km/h.


Com um preço de entrada a rondar os 550.000 euros, as primeiras entregas estão previstas para o quarto trimestre do ano.

Todo o desenvolvimento e fabrico foi feito internamente, em Maranello, enquanto o design ficou a cargo da LoveFrom, agência fundada por Jony Ive, o antigo diretor de design da Apple.

No papel, esta combinação une o melhor de dois mundos. Na prática, marca uma clara distância da Ferrari que os fãs conhecem.

Com a bolsa a reagir à novidade, veremos o que os fãs terão a dizer sobre o novo Ferrari Luce.

 

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