Imitando o compatriota Nuno Borges, apurado para a segunda ronda do Torneio de Roland Garros no domingo, Jaime Faria deu o melhor seguimento às três vitórias na fase de qualificação e, pela primeira vez, ganhou um encontro no quadro principal da etapa francesa do Grand Slam. E logo derrotando o credenciado Denis Shapovalov, que em tempos figurou entre os 10 melhores tenistas do mundo.

“É para isto que ando a trabalhar. Fiz uma época de terra muito grande a pensar nisto, para chegar aqui com muito ritmo e confiança. E hoje consegui dar continuidade. Tive três vitórias no qualifying que me deram muita confiança e agora esta mais ainda. Sinto que estou a conseguir jogar bem e a aproveitar as minhas oportunidades, mas também a desfrutar do meu ténis, porque esta é a terra sagrada e estou a jogar bem aqui”, declarou Faria (115.º no ranking) ao site Raquetc, após eliminar Shapovalov (ex-10.º e actual 39.º), por 6-4, 7-5 e 6-4.

Logo no quinto jogo, Faria aproveitou duas duplas-faltas do canadiano para fazer o primeiro break do encontro, o que lhe valeu o set inicial, depois de ter salvado a única oportunidade de break do adversário. No segundo set, o jogador luso teve de recuperar de 0-30 e 0-40 nos primeiros dois jogos em que serviu, mas, no sétimo jogo, graças a três erros de direita de Shapovalov, voltou a concretizar novo break-point que lhe deu a vantagem (6-5) necessária para fechar a partida.

A maior solidez de Faria voltou a fazer a diferença no terceiro jogo do terceiro set, quando duas duplas-faltas e outros erros do canadiano – de um total de 48 – lhe permitiram servir a 2-1. Mas na quinta oportunidade no encontro, Shapovalov quebrou pela primeira vez o adversário, só que voltou de imediato à inconsistência e cedeu o serviço pela quarta vez. Faria teve um primeiro match-point a 3-5 (30-40) e, no jogo seguinte, precisou de salvar um break-point, antes de ganhar os derradeiros três pontos do encontro.

Faria serviu melhor (72% e 61% de aproveitamento nos primeiro e segundo serviços, respectivamente), assinou 28 winners (incluindo dois ases) e cometeu 22 erros não provocados, menos de metade dos do canadiano. “Só tinha uma missão, era muito clara desde o começo – queria colocar energia em cada ponto, em cada serviço, em cada resposta e jogar o máximo possível para o cansar e tornar o meu trabalho mais fácil. Sabia que ia estar muito calor e isso foi bom para mim”, reconheceu ainda.

Bublik fora de cena

Na segunda ronda, Faria defronta o alemão Jan Lennard Struff (80.º), que afastou o quarto-finalista de 2025, Alexander Bublik (10.º), por 7-5, 6-7 (6/8), 6-4 e 7-5. Bublik, que chegou a servir para fechar o quarto set, foi o terceiro top 10 a cair, depois de horas antes, Daniil Medvedev (8.º) sofreu a sétima derrota no encontro de estreia em 10 presenças em Roland Garros.

“No ténis é preciso adaptarmo-nos às coisas e, às vezes, não sou bom o suficiente para me adaptar. E às vezes sou. Basicamente, é tudo o que posso dizer. O meu ténis depende de algumas coisas que não posso controlar. O Jannik, por exemplo: ele bate com toda a força e a bola não entra. Ele só faz um pequeno ajuste e não bate com toda a força e a bola entra. Eu bato com toda a força e, se a bola não entra, não entra. É isso”, tentou explicar Medvedev.

De regresso ao court Philippe Chatrier, onde, um ano antes, disputaram as finais, Jannik Sinner, derrotado então por Carlos Alcaraz, e a campeã em título, Coco Gauff, ganharam sem ceder qualquer set.

Na quarta-feira, Nuno Borges (51.º) defronta o sérvio Miomir Kecmanovic (48.º), com quem perdeu dois dos três duelos anteriores, no terceiro encontro do court 12.