O Governo aprovou a Resolução do Conselho de Ministros n.º 102/2026, que estabelece o novo Plano Nacional de Nuvem Soberana (PNCS).

Governo aprovou o Plano Nacional de Nuvem Soberana

O objetivo passa por reforçar a soberania digital do Estado português, aumentar a resiliência das infraestruturas críticas e garantir maior controlo sobre os dados e sistemas da Administração Pública.

De acordo com o diploma publicado em Diário da República, o Executivo considera que a transformação digital e a modernização tecnológica são prioridades estratégicas para posicionar Portugal entre os países mais avançados digitalmente na Europa.

O que é a Nuvem Soberana?

O conceito de “nuvem soberana” refere-se a infraestruturas e serviços cloud que garantem controlo nacional sobre dados críticos, sistemas e serviços digitais essenciais. O Governo destaca que o aumento dos riscos associados ao cibercrime, fenómenos meteorológicos extremos e guerra eletrónica torna essencial assegurar a continuidade operacional do Estado e a proteção da informação estratégica.

O plano prevê uma adoção coordenada e transversal de serviços cloud na Administração Pública, alinhada com o quadro europeu de soberania digital e com as normas nacionais de cibersegurança.

Quatro níveis de soberania

Um dos pilares do PNCS é a criação de um modelo de qualificação dos processos de negócio e dos dados da Administração Pública. Esses processos passam a ser classificados em quatro níveis:

  • Neutro
  • Corrente
  • Crítico
  • Estratégico

Governo aprovou o Plano Nacional de Nuvem Soberana

Consoante o impacto e a criticidade dos dados, serão aplicados diferentes requisitos de segurança, soberania e controlo operacional.

O modelo permitirá identificar quais os sistemas que necessitam de maior proteção e quais podem utilizar soluções cloud mais abertas e flexíveis.

O plano inclui também o desenvolvimento de uma infraestrutura nacional soberana de cloud, incluindo capacidades de Inteligência Artificial soberana. Além disso, será criado um catálogo unificado de serviços cloud para a Administração Pública.

O Governo pretende formar pelo menos 10% dos especialistas de informática da Administração Pública em soberania digital até 2028, bem como capacitar mais de 1000 dirigentes e gestores de projeto até 2030.

A monitorização do plano ficará a cargo da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) e do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), que terão 90 dias para definir os requisitos técnicos e metodologias de qualificação.