O Ferrari Luce estreou esta semana e já se tornou num dos carros mais polémicos dos últimos anos. Design radical, preço astronómico e uma colaboração inesperada com o estúdio de Jony Ive. Um dos criadores das linhas do primeiro elétrico da icónica marca de Maranello explicou as decisões que foram tomadas para lhe dar forma.
A Ferrari sempre soube que o seu primeiro veículo elétrico teria de ser especial. Contudo, é difícil saber se a marca imaginava esta receção…
Depois de muita expectativa, o Luce foi apresentado na segunda-feira e, em poucas horas, tornou-se num dos assuntos mais comentados do mundo automóvel, e não só.
Conforme vimos, as ações da marca caíram, antigos executivos manifestaram o seu desagrado publicamente, e até o Papa Leão XIV teve algo a dizer depois de ver o carro.
A lógica por detrás do design do Luce
O elemento mais controverso do Luce é a sua linguagem de design, composta por duas formas sobrepostas e claramente distintas.
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— Cybertruck (@cybertruck) May 27, 2026
A secção da cabine de passageiros é pintada a preto e apresenta um perfil arredondado, pensado para maximizar a eficiência aerodinâmica, um detalhe crítico num elétrico.
Por cima, e claramente separada por um friso que percorre todo o perímetro do carro, existe uma segunda camada de carroçaria em cor contrastante, com formas mais angulares, que se aproximam mais do ADN desportivo da Ferrari.
- A preocupação com a aerodinâmica moldou a arquitetura fundamental de todo o automóvel.
- As superfícies foram refinadas para serem lisas, contínuas e ininterruptas.
Esta visão é da responsabilidade do estúdio LoveFrom, fundado por Jony Ive, o designer histórico da Apple, e que conta também com Marc Newson, outro nome incontornável do design de produto.
À Road & Track, Newson explicou que a ideia de separar visualmente as duas camadas surgiu logo nas fases iniciais do projeto e que a coerência entre interior e exterior foi uma prioridade absoluta da equipa.
Primeiro Ferrari com cinco portas
Do ponto de vista da engenharia, o Luce representa uma rutura com os modelos tradicionais da Ferrari. É um crossover de cinco portas com cinco lugares, incluindo um terceiro lugar na segunda fila, uma estreia para a marca, movido por quatro motores elétricos e equipado com uma bateria de grande capacidade.
Segundo Pietro Virgolin, responsável de produto da Ferrari, estas escolhas foram em grande parte determinadas pelos requisitos técnicos da plataforma elétrica, que, ao contrário dos motores de combustão, não obriga a compromissos como a caixa de velocidades entre os bancos traseiros, permitindo um habitáculo mais espaçoso e flexível.
As portas traseiras abrem com dobradiças no pilar traseiro, uma solução que Newson justificou com o objetivo de criar a transição mais limpa possível entre o exterior e o interior do carro.
Interior oferece uma combinação curiosa com botões físicos
Se o exterior divide opiniões, o interior parece ter sido mais consensual.
Nas palavras de Newson, o habitáculo é “um TARDIS” – acrónimo para Time And Relative Dimension(s) In Space -, referência à série britânica Doctor Who. Ou seja, é mais espaçoso do que as dimensões exteriores sugerem.
Ao contrário da tendência atual para grandes ecrãs táteis, o Luce, em parceria com a Samsung, aposta em controlos físicos, uma opção que vai contra a corrente e que os designers justificam com a preocupação em manter coerência entre o interior e o exterior do carro.
Segundo Newson, garantir que tudo “casasse bem”, que nada parecesse pensado por equipas diferentes com objetivos diferentes, foi o princípio central de todo o projeto.
Preço a partir de 550.000 euros
Com poucos detalhes conhecidos, sabe-se que quem quiser um Luce terá de desembolsar pelo menos 550.000 euros.
Este valor coloca o primeiro modelo elétrico da Ferrari, que chega com uma potência máxima de 1050 cv, autonomia estimada de 530 km e aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 2,5 segundos, fora do alcance da esmagadora maioria dos compradores. Contudo, vai ao encontro do posicionamento ultra-premium que a Ferrari tem vindo a reforçar.
As entregas e restantes detalhes comerciais ainda não foram anunciados.





