A Polícia Judiciária (PJ) está a realizar esta quinta-feira, 28 de maio, buscas numa operação que está a envolver centenas de inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, e que tem como epicentro a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa. A sede nacional do PS, no Largo do Rato, é um dos locais visados pelas buscas, assim como várias juntas de freguesia.
Entre os crimes em causa está o de prevaricação, como avançou a CNN Portugal e confirmou o DN. Suspeita-se ainda da prática de “participação económica em negócio, peculato, abuso de poderes, burla qualificada, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada”, adiantou a PJ.
Segundo aquilo que o DN apurou, foram realizadas quatro detenções fora de flagrante delito e uma detenção em flagrante delito, por posse ilegal de arma, e foram ainda constituídos 37 arguidos. Um dos detidos é Duarte Moral, assessor do PS que trabalha a comunicação de José Luís Carneiro e que foi assessor também do antigo líder socialista António Costa.
A operação investiga suspeitas de um alegado esquema de favorecimento associado ao Partido Socialista. Outra das figuras visadas é o antigo presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho (PS), uma figura relevante na estratégia do PS na capital, tendo chegado a ser apontado para um cargo de vereação em Lisboa.
Miguel Coelho, que não foi detido, já decidiu suspender o mandato como deputado municipal e, consequentemente, as funções de presidente do Grupo Municipal. Hugo Gaspar torna-se, assim, o presidente do grupo do PS na Assembleia Municipal de Lisboa.
“Perante as notícias que associam o meu nome às diligências hoje realizadas no âmbito da Operação Imergente, decidi suspender, com efeitos imediatos, o meu mandato de deputado municipal à Assembleia Municipal de Lisboa”, informou, em comunicado.
Tomou a decisão de suspender o mandato para que a “situação não condicione o trabalho do Grupo Municipal do Partido Socialista, o normal funcionamento da Assembleia Municipal, nem fragilize a muito necessária fiscalização ao executivo municipal”.
“Colaborarei, como sempre, com as autoridades competentes, no integral respeito pelo esclarecimento dos factos”, garante Miguel Coelho, que adianta: “Defender-me-ei com a consciência tranquila quanto à minha conduta e com a mesma honradez que sempre procurei colocar no meu percurso cívico e político”.