Ouvir Notícia
Ouvir


Partilhar Notícia
Partilhar




Marisa M. queria andar no carrossel com o
filho, mas não coube. Foi nesse momento que percebeu que a sua realidade tinha
de mudar. “Viver com obesidade não é viver”, declarou. Hoje tem a
doença controlada e ajuda outras pessoas a percorrer o mesmo caminho. A
história de Marisa é uma das dez, até agora invisíveis, que integram a iniciativa
“Stories Can’t Wait”, da Lilly Portugal.





Patente até 4 de junho no MAAT Central, em
Lisboa, a iniciativa foi inaugurada no encerramento do evento promovido pela
Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO), no âmbito do
Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade
.





Com o objetivo de promover a compreensão e a
empatia, a iniciativa dá voz a pessoas que vivem com a doença. A peça central
da “Stories Can’t Wait”, que representa a fragilidade emocional da
obesidade, é a Torre dos Desequilíbrios, uma estrutura de blocos verdes empilhados
em desequilíbrio, com sentimentos gravados em letras amarelas: frustração,
ansiedade, julgamento, insegurança, preconceito, rejeição.





Maria Rita Dionísio, diretora médica da
Lilly Portugal, afirmou que a ideia para a iniciativa nasceu de um “grande
desejo de trazer uma visão humanizada” para a obesidade. “Combinando
ciência e emoção, pretendemos ir além dos dados já conhecidos e verdadeiramente
humanizar esta doença, ligando a esfera científica à sociopolítica. Acima de
tudo, queremos que esta iniciativa seja suficientemente impactante para que
alguém que ainda não procurou ajuda sinta esse apelo e dê o primeiro passo”,
acrescentou.









C-Studio 59801201.JPG



Maria Rita Dionísio, diretora médica da Lilly Portugal, e Carlos Oliveira, presidente da ADEXO, na inauguração da iniciativa “Stories Can’t Wait”







A (in)visibilidade da doença, discutida por
especialistas


Em Portugal, 28,7% dos adultos vivem com
obesidade, uma doença crónica reconhecida há mais de 20 anos pela Direção-Geral
da Saúde, associada a mais de 200 doenças, e ainda assim subdiagnosticada e estigmatizada.
No dia 20 de maio, no MAAT Central, sociedades médicas e doentes reuniram-se
para discutir o que falta fazer, a convite da ADEXO. O tema escolhido foi “Obesidade,
uma doença invisível?”
e a pergunta não foi retórica.






Para Carlos Oliveira, presidente da ADEXO, a
doença “é muito mais do que aquilo que as outras pessoas veem ou que os
doentes veem ao espelho”. Por trás do que é visível, há sofrimento
emocional e isolamento social. O estigma manifesta-se nos pequenos momentos do
dia a dia.





“Oitenta por cento das pessoas com diabetes
tipo 2 em Portugal têm também obesidade. Se uma dessas pessoas for a uma
farmácia comprar a medicação prescrita para a diabetes, corre o risco de ser
julgada por a estar a tomar indevidamente quando, na realidade, está a tratar
as duas doenças simultaneamente”, exemplificou.





A resistência do corpo à perda de peso tem
explicação científica. Maria Rita Dionísio descreveu-a como uma “luta biológica
que vai desde os mecanismos centrais no cérebro até ao tecido adiposo como
processo neurometabólico, e que ultrapassa a vontade da pessoa”, porque o
organismo reage à perda de peso como se estivesse em risco. É um mecanismo
complexo que exige acompanhamento médico.





Nuno Vicente, secretário adjunto da
Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), lembrou
que a obesidade é uma das áreas da medicina que mais têm evoluído nos últimos
anos. “O problema é que o acesso equitativo aos tratamentos não está a acompanhar
o ritmo da ciência”, apontou.





José Silva Nunes, presidente da Sociedade
Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), afirmou que “a obesidade é a
mãe de muitas doenças”.  Em 2018, o
sistema de saúde português gastou 1,2 mil milhões de euros a tratar as doenças
associadas à obesidade e apenas 3 milhões a tratar a obesidade. Por cada euro
investido no seu tratamento, o Estado poupa até seis euros em custos das
doenças associadas, acrescentou.




28,7% dos adultos portugueses vivem com obesidade, uma doença crónica reconhecida há mais de 20 anos pela Direção-Geral da Saúde, associada a mais de 200 doenças, e ainda assim subdiagnosticada e estigmatizada.








CMAT-32869/MAI2026