A VAA – Vista Alegre Atlantis aprovou esta sexta-feira em assembleia-geral a saída da negociação na bolsa de Lisboa, anunciou a empresa em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). “Foi aprovada a exclusão voluntária de negociação do mercado regulamentado das ações da VAA – Vista Alegre Atlantis, SGPS, S.A.” refere a empresa.
A proposta foi apresentada a 7 de maio pelo principal acionista, o conglomerado empresarial Visabeira, que direta e indiretamente detém no seu conjunto 84,76% do capital da vidreira e cerâmica, e entidades associadas, apresentando vários argumentos: não se prevê a curto e médio prazo a dispersão do capital em mercado regulamentado ou o aumento de capital através de subscrição pública; um free float residual de 5,24%; a maior alteração acionista (com o investimento de uma das empresas do jogador de futebol Cristiano Ronaldo, que é também acionista da Medialivre, dona do Jornal de Negócios) foi feita fora de mercado; e o mercado obrigacionista como forma alternativa para a captação de capital.
“Neste contexto e numa ponderação custo-benefício, as acionistas signatárias não consideram existir particular benefício para a sociedade, os seus acionistas e demais stakeholders na manutenção da negociação das ações da VAA em mercado regulamentado, afigurando-se no seu melhor interesse uma redução dos custos inerentes a essa negociação”, lia-se no comunicado enviado à CMVM.
A proposta foi assinada pela NCFGEST, Grupo Visabeira SGPS, Visabeira indústria e NCFTradetur, sendo a NCFGEST detentora da maioria do capital das restantes signatárias e sendo Fernando Campos Nunes, fundador do grupo Visabeira, detentor do total do capital social e direitos de voto da NCFGEST.
Segundo uma norma citada no comunicado (artigo 251.º-F do Cód.VM), a NCFGEST fica obrigada a comprar – ou a indicar alguém que compre – os títulos dos acionistas que não foram a favor da exclusão da Vista Alegre da bolsa de valores, isto num prazo de três meses após o deferimento da exclusão de negociação pela CMVM. O comunicado não refere a percentagem de acionistas que votou a favor da proposta, tendo sido necessários pelo menos 90% dos direitos de voto para avançar com o “delisting”.
De acordo com a proposta, é a Visabeira Indústria quem ficará responsável por comprar as ações de quem votou contra. A proposta apresentada é de 1,07 euros por ação, o que corresponde ao preço unitário mais elevado pago aos acionistas nos últimos seis meses antes da convocatória para a assembleia-geral. Foi precisamente nesse valor que as ações fecharam esta sexta-feira no índice geral da bolsa de Lisboa.