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Mark Cuban

O antigo proprietário dos Dallas Mavericks, da NBA, e reputado investidor questionou a falta de utilização quotidiana das criptomoedas. Além disso, desvalorizou o seu papel face a ativos tradicionais, como o ouro.

O multi-milionário Mark Cuban reabriu o debate sobre o futuro das criptomoedas e, sobretudo, da bitcoin, depois de reconhecer que vendeu a maior parte dos seus bitcoins. O investidor defende que o ativo falhou enquanto refúgio face ao ouro e que o sector ainda não encontrou uma utilidade de massas.

As declarações foram feitas numa entrevista à Front Office Sports, num excerto que não foi transmitido em direto, mas que foi posteriormente divulgado pelo apresentador Daniel Roberts na rede social X.

Cuban, conhecido pelo seu perfil de investidor e pela ligação aos Dallas Mavericks, a equipa que contratou o ex-jogador do Real Madrid Luka Doncic, foi particularmente crítico em relação à evolução recente do mercado cripto.

O empresário resumiu a sua desilusão numa frase que aponta para o principal problema do sector: “Não sei se está morto, mas é uma desilusão.” Em seguida, acrescentou que as criptomoedas ainda não desenvolveram “uma aplicação para a avó”, uma forma direta de pôr em causa a sua falta de utilização quotidiana.

A crítica mais dura de Mark Cuban centrou-se no comportamento da bitcoin durante episódios de tensão geopolítica e de enfraquecimento do dólar. Segundo explicou, comprou o ativo porque o via como uma alternativa ao dinheiro fiduciário e como uma versão melhorada do ouro.

No entanto, para o investidor, essa tese perdeu força. Cuban afirmou: “Acho que a bitcoin perdeu o rumo. Quando comecei a comprar bitcoin, e já vendi… a maior parte, foi porque, quando tudo se complicou com a guerra do Irão, a bitcoin era sempre a melhor alternativa à perda de valor da moeda fiduciária, e sempre pensei que fosse uma versão melhor do ouro do que o próprio ouro”.

O empresário prosseguiu a explicação, assinalando que o ouro subiu de forma acentuada enquanto a bitcoin recuava. “O ouro simplesmente disparou e chegou aos 5000 dólares, a bitcoin caiu. E sempre que o dólar caía, a bitcoin deveria ter subido… e simplesmente não subiu. Não foi a cobertura que eu esperava que fosse, e isso foi realmente dececionante”, afirmou.

Segundo o El Confidencial, a posição de Cuban não representa uma rutura total com todo o ecossistema, embora reflita uma viragem severa quanto ao papel da bitcoin como ouro digital.

O investidor também garantiu estar menos desiludido com a Ethereum, ao mesmo tempo que classificou como “lixo” as memecoins que dominaram parte da conversa cripto nos últimos anos.

As suas palavras surgem depois de um percurso marcado por comentários muito duros sobre a bitcoin. Em 2019, quando era negociada abaixo dos 10 mil dólares, chegou a dizer à CNBC que preferia ter bananas a bitcoin, pela sua utilidade prática.

Agora, a sua mensagem volta a atingir uma promessa central do sector: a de que as criptomoedas possam funcionar como refúgio fiável em momentos de incerteza.


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