“Até 2035, mais de 700 aeronaves serão entregues e Portugal irá juntar-se a um programa. Será o caça de eleição da NATO nessa altura. Em termos de interoperabilidade, será crítico conseguir operar com os aliados”, frisa o responsável. O contributo da indústria portuguesa, garantem os representantes da Lockheed Martin, não será deixado de fora. “Sabemos o que a indústria portuguesa pode dar às nossas plataformas”, afirma Rob Weitzman, que no passado não pôs de parte o fabrico de componentes em Portugal. “Não há nada no programa dos F-35 que indique que Portugal tenha que mudar a forma como faz agora as coisas. Se há uma organização definida entre esquadrões, podem continuar a usá-la”, acrescenta Puff. “Manutenção, também podem seguramente fazê-la como até agora.”
Foi em plena Segunda Guerra Mundial que a Lockheed Martin avançou com o seu Programa de Desenvolvimento Avançado, atualmente com o nome Skunk Works. Se nos seus primórdios levou à criação do P-80 Shooting Star — o primeiro caça a ser usado em operações pela Força Aérea dos EUA —, nos últimos anos o desafio passa pelo aproveitamento da Inteligência Artificial (IA) em cenário de combate.
“No futuro, vamos definitivamente trabalhar com IA”, confirma Puff. A Skunk Works, concretiza, “já está a trabalhar com IA”, especialmente na programação. “Já fizemos algumas coisas, como a identificação em combate. Usámos um agente de IA, colocámo-lo na aeronave e utilizámo-lo para determinar que outras aeronaves ou sistemas de terra-ar se encontravam no solo.”
Enquanto piloto em combate, Carlton “Puff” Wilson pilotou na maioria caças Harrier, mas também F-16. Agora piloto de testes do F-35 e formador para a Lockheed Martin, defende que os caças de quinta geração — uma categorização questionada pelos concorrentes — são “únicos”. “O que torna o F-35 diferente? A interoperabilidade e a capacidade de sobrevivência. Primeiro, todos os sensores avançados criam muita informação, e o caça tem a capacidade de fundir toda essa informação numa vista do piloto que lhe permite focar-se na tática. Numa aeronave de quarta geração, ainda tenho que manobrar o meu radar e o meu sistema de guerra eletrónica. O F-35 já faz muito disso por nós. Por isso, sou capaz de me focar no que está a acontecer e a tomar decisões cedo, em vez de me concentrar em como dirijo o meu caça”, além de a partilha de informação com o wingman ser bem mais fácil.