NIAID

O DEET é amplamente utilizado em repelentes de insetos e continua a ser uma das principais escolhas para proteção contra picadas de mosquito. No entanto, uma equipa de cientistas descobriu que este composto pode, em determinadas condições, atrair os insetos em vez de os afastar.

O uso deste tipo de proteção é comum em diversos países, sobretudo porque as picadas de mosquito podem transmitir doenças graves, como dengue, malária e zika.

Num novo estudo, publicado esta quinta-feira na Journal of Experimental Biology, os investigadores observaram inicialmente o comportamento de mosquitos capturados enquanto tentavam picar um saco com sangue ao qual não conseguiam aceder.

“Durante muito tempo acreditou-se que os repelentes funcionavam apenas devido às suas propriedades químicas, quer por serem tóxicos ou desagradáveis para os mosquitos e os afastarem, quer por bloquearem a sua capacidade de detetar seres humanos”, explicou o primeiro autor do estudo, Claudio Lazzari.

“No entanto, as nossas descobertas sugerem que a reação pode ser modificada pela experiência”, acrescentou Lazzari.

Segundo o The Guardian, investigações posteriores revelaram que 60% dos mosquitos que se alimentaram de sangue enquanto estavam expostos ao DEET demonstraram, mais tarde, tentativas de picada quando expostos apenas ao repelente. Em contrapartida, os mosquitos não treinados tentaram, sem exceção, picar a outra mão do investigador, que não tinha sido tratada.

Em comparação, apenas 17% dos insetos sem qualquer treino prévio apresentaram esse comportamento. Já entre mosquitos que foram expostos apenas ao DEET, a percentagem foi de 13%; entre os que se alimentaram de sangue sem exposição ao repelente, 17%; e entre os que se alimentaram de sangue e foram expostos ao DEET, mas não em simultâneo, 23%.

No entanto, os especialistas salientaram que estas conclusões não significam que se deva deixar de usar o DEET. “O DEET não perde a eficácia com a utilização normal, mas apenas em condições laboratoriais, o que permite perceber como atua nos mosquitos”, concluiu Lazzari.


Subscreva a Newsletter ZAP