A investigação “The Journey of a Norwegian T-shirt: A Case Study of Fibre Material in the Clothing System”, publicada no Journal of the Circular Economy, analisou o percurso de um t-shirt de algodão ao longo de dois ciclos de vida consecutivos e concluiu que cerca de 44% do material é perdido logo nas fases iniciais da cadeia de valor.
Desenvolvido por investigadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e do instituto de investigação Sintef, o estudo considerou um cenário em que a produção decorre no Bangladesh e a utilização e gestão de resíduos na Noruega, descrito pelos autores como um exemplo típico.
«Quando falamos de resíduos têxteis, o debate centra-se frequentemente nas roupas que deitamos fora. Mas o problema começa muito mais cedo», explica Rakib Ahmed, um dos autores do estudo.
Os investigadores combinaram um modelo de fluxo de materiais com uma avaliação do ciclo de vida para analisar cinco impactos ambientais, nomeadamente o aquecimento global, eutrofização da água doce, ecotoxicidade em água doce, consumo de água e utilização do solo.
Os resultados mostram que, nas condições atuais, apenas 17% das fibras originais de uma t-shirt podem ser recicladas e reincorporadas num novo produto. O estudo refere ainda que menos de 1% do vestuário usado a nível global é reciclado em novos têxteis, apesar do aumento das políticas europeias de recolha seletiva.
«Desde o ano passado, os municípios noruegueses são obrigados a disponibilizar instalações para a recolha de têxteis usados», refere Johan Berg Pettersen, coautor do estudo. O investigador sublinha que «aqui conseguimos ver claramente que, se as medidas quiserem ser eficazes, também têm de ter em conta o processo de produção. Existem benefícios ambientais significativos ao tornar a produção mais eficiente».
Os autores defendem que melhorias nos processos industriais, sobretudo na produção de fio e no processamento de matérias-primas, poderão elevar o potencial de reciclagem de 17% para 44%. Além disso, de acordo com as estimativas da investigação, métodos de produção mais eficientes poderão reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em cerca de 10% e diminuir outros impactos ambientais entre 20% e 25%.
«Se a União Europeia quiser ter sucesso na reciclagem de uma maior proporção de têxteis, os países terão de deslocar os seus esforços para fases mais acima da cadeia de valor. Isso conduziria a menos resíduos e a uma melhor utilização dos recursos na produção», conclui Christina Meskers, coautora.
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