“Tanto Portugal como Espanha tinham famílias muito mais numerosas do que outros países da atual União Europeia. O que acontece é que toda a sociedade, não só a estrutura das famílias, como a própria economia, era assente muito ainda em coisas de trabalho manual, de agricultura, e nos outros países já havia uma grande reforma industrial, que já estava a fazer com que as famílias ficassem com menos gente. Portanto, temos de perceber esse contexto de há 50 anos”, explica ao DN Luísa Loura, diretora da Pordata.

A partir de 1975, “além de Portugal ter acompanhado a tendência” dos outros países após “uma grande abertura”, com a sua população a “começar a perceber o que é que acontecia lá fora, a querer viajar e conhecer outras coisas” e a começar a adiar a chegada dos filhos, vieram também as dificuldades financeiras, segundo frisa a responsável. “Porque toda essa abertura não foi acompanhada por uma reestruturação da economia de maneira a dar outras condições financeiras às pessoas e, portanto, não só houve uma inspiração, digamos, nos modelos de sociedade dos outros países, como, na prática, havia dificuldades em ter famílias mais alargadas”, completa Luísa Loura.

Mais tempo nas creches

Com a falta de recursos económicos, a população portuguesa tende a trabalhar mais. O resultado é que o país está entre os cinco da UE com maior média de horas semanais das crianças em creches, infantários e escolas. São 38 horas por semana para as crianças dos 6 aos 11 anos, o valor mais elevado do bloco, acima da média europeia de 31,5 horas.

Já para os miúdos dos 3 anos até à idade de entrada na escolaridade obrigatória são 38,3 horas semanais, estando o país na 4.ª posição, acima da média da UE de 30,8 horas. Os bebés e crianças com menos de 3 anos, passam 36,7 horas por semana em creches, colocando Portugal em 5.º lugar, acima da média europeia de 30,5 horas.