Rui Minderico / Lusa

Marine Rousseau, mãe das crianças abandonadas em Alcácer do Sal, está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Tires
A mãe das duas crianças encontradas sozinhas numa estrada em Alcácer do Sal está detida na que é considerada “a mais dura prisão feminina de Portugal”, onde nos últimos anos várias reclusas perderam a vida e se registaram casos de agressões a guardas.
A francesa Marine Rousseau, de 41 anos, está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Tires, depois de os dois filhos da mulher, de quatro e cinco anos, terem sido encontrados a caminhar numa estrada rural em Monte Novo do Sul, entre a Comporta e Alcácer do Sal.
Os dois rapazes terão sido deixados vendados numa zona de mato perto de uma antiga paragem de autocarro, levando consigo apenas algumas peças de fruta e uma garrafa de água. As crianças foram encontradas por um padeiro local, que alertou de imediato a polícia.
Rousseau e o companheiro, Marc Ballabriga, de 55 anos, foram detidos pela GNR no dia 22 em Fátima, a cerca de 190 quilómetros do local onde as crianças foram encontradas. Estavam “calmamente” sentados na esplanada de um café. Os menores foram acolhidos temporariamente em Portugal e regressaram a França.
No dia seguinte, a mãe das crianças foi ouvida a cantarolar enquanto era levada a tribunal. Um juiz de instrução determinou a sua prisão preventiva em Tires, a cerca de 20 quilómetros a oeste de Lisboa.
O estabelecimento prisional onde Rousseau se encontra agora detida é considerado a mais dura prisão feminina em Portugal, diz o jornal britânico The Mirror, que esta semana recordou alguns dos episódios que nos últimos anos lhe valeram essa distinção.
A conhecida prisão de segurança mista acolhe várias centenas de reclusas, incluindo arguidas em prisão preventiva e condenadas, e recebe muitas das mulheres ligadas a alguns dos processos criminais mais graves em Portugal.
O estabelecimento tem um historial de problemas de segurança, que colocaram em risco tanto reclusas como guardas prisionais.
No ano passado, uma reclusa ateou deliberadamente fogo à própria cela; cinco guardas prisionais e a própria reclusa tiveram de ser transportadas para o hospital por inalação de fumo, contou o JN. A reclusa tinha sido transferida para Tires depois de ter estado envolvida em agressões noutra prisão.
Em 2018, a RTP noticiou dois casos suspeitos de overdose no estabelecimento, um dos quais resultou na morte de uma reclusa.
Em Dezembro de 2021, Tires voltou a registar a morte de mais uma reclusa na cela. Maria Malveiro, então com 20 anos e condenada a 25 anos de prisão pelo homicídio e desmembramento de Diogo Gonçalves, no Algarve, foi encontrada sem vida por guardas prisionais quando as celas foram abertas para o almoço.
A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais confirmou tratar-se de uma morte por suicídio e determinou a abertura de um inquérito interno.
A cadeia registou também vários episódios de violência contra guardas prisionais. Em Abril de 2024, uma guarda foi agredida por uma reclusa durante a hora do almoço, naquele que o sindicato dizia ser já o 13.º caso desde o início do ano. Em Junho do mesmo ano, outra guarda foi agredida depois de intervir para separar duas reclusas envolvidas numa agressão.
O historial recente inclui ainda casos graves de saúde e segurança. Em 2020, durante a pandemia, o estabelecimento prisional registou um surto de Covid-19 que infectou 8 trabalhadores, 148 reclusas e 2 crianças que se encontravam com as mães.
Marine Rousseau, que se divorciou do pai dos rapazes há vários anos e que se apresenta como “sexóloga”, ficará em prisão preventiva em Tires até nova decisão judicial.