NoahElhardt /Wikimedia Commons

Exemplares de Darlingtonia californica.

Afinal, planta carnívora é muito mais eficiente do que se pensava: “engorda” as presas antes de as capturar.

Uma planta carnívora encontrada na Califórnia parece ter uma estratégia de predação muito mais sofisticada do que se pensava, que a coloca no topo da cadeia predatória.

A Darlingtonia californica, também conhecida como planta-cobra, vive em zonas pantanosas e montanhosas da Califórnia e era até agora vista como uma predadora pouco eficiente: apenas uma pequena fração dos insetos que a visitam acaba por morrer nas suas armadilhas.

Mas uma nova investigação, publicada na Ecology e conduzida por cientistas da Unidade de Ecologia de Comunidades Integrativas do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa, no Japão, apresenta uma leitura muito diferente.

Em vez de capturar indiscriminadamente as suas presas, a planta parece alimentar grande parte dos insetos que a rodeiam, permitindo-lhes entrar e sair das suas estruturas com relativa liberdade. Segundo os dados recolhidos, apenas cerca de 2% dos insetos que pousam na planta acabam efetivamente capturados.

O caso mais intrigante, diz a National Geographic, envolve vespas que se alimentam do néctar produzido pela Darlingtonia californica. Os investigadores recorreram à espectrometria de massa para analisar os níveis de azoto nos insetos e encontraram uma concentração elevada de azoto-15, um isótopo usado para perceber a posição dos organismos nas cadeias alimentares. A explicação parece estar no próprio néctar da planta, enriquecido com esse elemento químico.

Na prática, a planta fornece alimento regular às vespas, tornando-se uma fonte atrativa e valiosa para estas populações. O risco de morte existe, mas é suficientemente baixo para que os insetos continuem a aproximar-se. A hipótese avançada pelos investigadores é que a planta consiga regular a forma como captura presas, mantendo uma relação equilibrada com os insetos de que depende para obter nutrientes.

Esta dinâmica desafia a ideia tradicional de que as plantas carnívoras são predadores passivos, limitados a esperar que as presas caiam nas suas armadilhas. No caso da Darlingtonia californica, a relação parece aproximar-se de uma gestão ativa do ecossistema: a planta alimenta, mantém por perto e, ocasionalmente, captura os insetos.

O professor David Armitage, que liderou o estudo, descreve o fenómeno como a possibilidade de uma planta “criar” insetos para depois se alimentar. A descoberta poderá reforçar a importância ecológica desta espécie, não apenas como predadora, mas como organismo capaz de estruturar comunidades inteiras em ambientes exigentes.


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