A frase
“Ao contrário de outros presidentes dos EUA, nenhum dos quais alguma vez realizou um teste cognitivo aprovado e de elevada dificuldade, obtive uma pontuação perfeita de 30 em 30, considerada ‘extrema inteligência’. […] Na verdade, este é o meu quarto teste deste tipo, todos com nota PERFEITA, ou seja, 120 respostas correctas em 120 perguntas! É muito raro alguém obter uma nota perfeita, especialmente quando isso acontece quatro vezes seguidas”
Donald Trump, Presidente dos EUA, na TruthSocial, a 31 de Maio de 2026
O contexto
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou através da Truth Social, que tinha obtido “uma pontuação perfeita de 30 em 30” num “teste cognitivo” de “elevada dificuldade”, o que lhe conferiria um grau de “inteligência extrema”.
Mas rapidamente começaram a surgir pessoas a dizer que o teste cognitivo de elevada dificuldade era afinal um teste simples desenvolvido para avaliar formas ligeiras de défice cognitivo.
Os factos
Todos os anos, o Presidente dos Estados Unidos é sujeito a exames para avaliar o estado de saúde. No dia 26 de Maio, Trump dirigiu-se ao Centro Médico Militar Nacional Walter Reed e três dias depois a Casa Branca divulgou uma nota: “o Presidente Trump continua a gozar de excelente saúde, demonstrando uma forte função cardíaca, pulmonar, neurológica e uma condição física geral robusta”, escreveu Sean Barbabella, médico do Presidente norte-americano.
Nesse relatório percebe-se qual é, afinal, o exame que Trump fez com nota perfeita: o MoCA (Montreal Cognitive Assessment). É um “instrumento de despiste breve”, que permite “uma compreensão rápida do estado cognitivo global”, lê-se no site da Universidade de Coimbra. O teste pode ser usado “não só em contexto de Défice Cognitivo Ligeiro (DCL) e doença de Alzheimer, mas também de défice cognitivo associado a muitas outras condições clínicas”, como demência em fases iniciais.
Barbabella escreveu no relatório que Trump teve um resultado “normal” no MoCA, — a pontuação perfeita de que o Presidente norte-americano falava — 30 em 30. Esses resultados querem dizer que Donald Trump não apresenta défice cognitivo, mas não significam “extrema inteligência”.
Neste exame, o paciente deve unir pontos por uma certa ordem, depois copiar um cubo, desenhar um relógio que indique uma hora específica, identificar três animais, repetir palavras e números, perceber o que é que “comboio” e “bicicleta” têm em comum, saber a data e a cidade onde está. Não é um teste que avalie qualquer tipo de inteligência nem é “raro” obter pontuação máxima, como alegou Trump. Qualquer pessoa sem défice cognitivo responderá correctamente a todas as perguntas.
Esta é a quarta vez que Trump faz este exame e Jonathan Reiner, médico e comentador da CNN Internacional, disse que “não é muito útil se se fizer repetidamente porque as perguntas não mudam assim tanto”, ainda que existam várias versões do teste. Ou seja, as “120 perguntas” com respostas certas mencionadas por Trump são, na verdade, quatro versões das 30 perguntas que constam no MoCA.
O veredicto
É falso que um exame tenha revelado “extrema inteligência” de Donald Trump. O teste feito ao Presidente dos Estados Unidos serve para perceber o estado cognitivo, não qualquer tipo de inteligência. O facto de ter acertado todas as perguntas significa apenas que não tem um défice cognitivo.