O fim das redes 2G e 3G está já a acontecer em Portugal e no resto da Europa. Este cenário pode parecer trazer vantagens, mas há agora problemas e consequências inesperadas. Uma função dos automóveis deixará de funcionar em até 64 milhões de veículos. Por isso, a UE pede aos operadores que adiem o fim do 2G e 3G.

UE 2G 3G operadores condutores

UE quer agora adiar o fim das redes 2G e 3G

A União Europeia pretende eliminar gradualmente as tecnologias 2G e 3G para dar lugar às novas ligações 5G e à eventual chegada do 6G. O plano de Bruxelas é claro, mas surgiu um problema inesperado. O fim do 2G pelas operadoras de telemóveis tem um efeito colateral que a Comissão Europeia pode ter ignorado. Muitos serviços utilizados ainda dependem desta rede, desde elevadores a sistemas de emergência de automóveis.

Neste cenário, milhões de automóveis podem perder uma das suas características de segurança mais importantes em caso de acidente de viação. O encerramento da rede 2G desativaria o sistema eCall nos veículos, afetando até 64 milhões de automóveis no imediato.

O sistema eCall contacta automaticamente os serviços de emergência através do 112 e permite identificar a localização exata do local do acidente através do GPS. O Regulamento (UE) 2018/858 determinou que os fabricantes equipassem os veículos com esta funcionalidade, que funciona com redes 2G e 3G.

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Operadores devem garantir segurança dos condutores

A Comissão Europeia reconhece que existem desafios “regulamentares, técnicos e operacionais para a manutenção da conectividade 2G ou 3G”, e até os fabricantes de automóveis começam a manifestar preocupação. A Mazda admitiu que “o sistema eCall nestes veículos já não poderá ligar-se aos serviços de emergência em áreas afetadas pelas interrupções das redes 2G e 3G. Isto embora estes veículos tenham cumprido integralmente os requisitos legais quando receberam o certificado de conformidade”.

O encerramento das redes 2G ou 3G é independente do país onde adquiriu o veículo. Ao conduzir por uma área onde estas redes foram desligadas, a função eCall não funcionará. Terá de se fazer a chamada de emergência a partir de um telemóvel 4G ou 5G.

Bruxelas reverteu a decisão sobre o desligamento das redes 2G e 3G, solicitando agora aos Estados-Membros que preservem “pelo menos uma rede com comutação de circuitos até 2030”. O corte definitivo poderá ser adiado até quatro anos para evitar a obsolescência dos veículos, chamadas de emergência em elevadores, terminais de pagamento antigos ou contadores de eletricidade digitais.