Os modelos apontam para um junho dividido em Portugal: primeira semana mais fresca e instável, seguida de uma possível recuperação do tempo seco e quente.
Marta Godinho 02/06/2026 13:03 6 min
Ao contrário dos mapas tradicionais de previsão, que mostram o estado da atmosfera num determinado dia, os “weather regimes” permitem perceber qual será a configuração atmosférica predominante a médio e longo prazo.
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Para o Atlântico Norte e Europa surge uma mudança importante ao longo de junho, com a provável transição de uma fase de Oscilação do Atlântico Norte positiva (NAO+) para um prolongado período de Bloqueio Escandinavo (Scandinavian Blocking), previsto até 15 de julho.
O gráfico sub-sazonal do ECMWF mostra uma transição clara: início de junho sob NAO+ e, depois, domínio provável do bloqueio escandinavo até perto do início da canícula (15 de julho) .
Até aos primeiros dias de junho (dia 4), o regime dominante vai continuar a ser a NAO+, normalmente associada a uma posição favorável do Anticiclone dos Açores e a condições relativamente estáveis em Portugal. Contudo, NAO+ não significa necessariamente ausência de chuva. Nesta primeira semana, o anticiclone não deverá conseguir bloquear totalmente algumas perturbações atlânticas, permitindo a entrada de maior nebulosidade, ar mais fresco e até alguns episódios de precipitação fraca, sobretudo no Norte e Centro.
Primeira semana de junho traz ar mais fresco
A mudança já começou a ser sentida. Depois de vários dias marcados por calor intenso, as temperaturas vão diminuir ao longo da primeira semana de junho.
O Anticiclone dos Açores mantém-se forte mas ligeiramente mais a sudoeste do “ideal”. Porém a circulação de norte favorece a entrada de ar mais fresco, mais nebulosidade e uma descida das temperaturas em Portugal.
A circulação de norte, induzida pelo posicionamento do Anticiclone dos Açores, irá transportar massas de ar mais frescas para o litoral e para grande parte do Norte e Centro do país. O aumento da nebulosidade será outro dos aspetos mais evidentes desta alteração de padrão.
Apesar disso, as descidas térmicas deverão ser menos expressivas no Algarve, Alentejo e em várias zonas do interior Centro, onde o ar mais fresco terá maior dificuldade em chegar.
Segunda semana poderá devolver o verão a Portugal
As previsões atuais apontam para uma segunda semana de junho mais estável e seca do que a primeira.
Apesar do bloqueio escandinavo, a subida do Anticiclone dos Açores poderá limitar a instabilidade e devolver temperaturas típicas de verão a grande parte do território.
Apesar do bloqueio escandinavo continuar a surgir como regime dominante, os modelos indicam também, uma subida (para latitudes mais a norte) do Anticiclone dos Açores. Esta configuração poderá limitar os efeitos instáveis para Portugal, normalmente associados a este tipo de bloqueio.
No mapa de temperatura, dia 10 de junho, é possível observar uma recuperação das temperaturas em todo o território. Alguns locais poderão novamente ultrapassar os 35 °C.
Se este cenário se confirmar, as temperaturas poderão voltar a subir de forma generalizada, trazendo novamente valores elevados a grande parte do território nacional.
E o que poderá acontecer até ao final de julho?
A partir da terceira semana de junho entramos num horizonte de previsão mais especulativo. Ainda assim, os sinais de larga escala continuam a favorecer a persistência do Bloqueio Escandinavo, até à altura em que se aproxima a canícula (15 de julho).
A canícula corresponde ao período estatisticamente mais quente do ano no Hemisfério Norte, ocorrendo habitualmente entre meados de julho (dia 15) e primeira quinzena de agosto. Embora ainda estejamos algumas semanas antes desse período, as configurações atmosféricas observadas durante junho poderão dar pistas importantes sobre a tendência para o resto do verão.
Se o Anticiclone dos Açores conseguir manter-se forte e bem posicionado durante todo o período que está previsto o Bloqueio Escandinavo, a probabilidade de um junho e julho maioritariamente seco e estável em Portugal aumenta.
Contudo, pequenas alterações na posição do anticiclone ou do jato polar poderão modificar rapidamente este cenário. Um enfraquecimento do anticiclone poderá abrir a porta a instabilidades atlânticas.
Por agora, os modelos apontam para um mês de junho dividido entre um início mais fresco e potencialmente instável e uma segunda metade mais favorável ao regresso do tempo seco e quente. As próximas atualizações serão fundamentais para perceber qual destes sinais acabará por prevalecer.
