Uma pequena fuga que anda a deixar entrar e sair ar no túnel do módulo Zvezda da Estação Espacial Internacional criou alarme durante duas horas. De tal forma, que parte da tripulação a bordo preparou-se para ser retirada. Por precaução, a NASA ordenou cinco dos sete astronautas a bordo – três norte-americanos, um russo e uma francesa – para se instalarem nos veículos destinados ao regresso à Terra, caso se confirmasse a necessidade de uma evacuação de emergência. O aviso durou pouco tempo, já que, por serem necessárias “mais medições e dados”, tudo regressou ao normal na órbita da Terra.
A ordem para os astronautas se porem a postos para uma possível retirada foi dada às 14h04 (hora de Portugal). “O túnel de transferência do módulo de serviço Zvezda, conhecido como PrK, tem fendas e fugas há algum tempo, e a Roscosmos [agência espacial russa] vai mitigando esses problemas”, escreveu Bethany Stevens, porta-voz da NASA na rede social X. Com as novas fugas detectadas esta segunda-feira e “por excesso de cautela”, como adjectiva, a evacuação entrou nas opções.
Dois cosmonautas russos, que seguiram para a Estação Espacial Internacional em Novembro do ano passado, trabalharam na reparação da fuga. O astronauta norte-americano que foi com eles, Christopher Williams, juntou-se às naves para preparar uma potencial retirada, juntamente com os astronautas enviados na missão Crew-12, em Fevereiro deste ano – Jessica Meir, Jack Hathaway, Sophie Adent e Andrei Fediaev.
A Roscosmos afirmou, à agência russa TASS, que foram detectadas duas fugas esta semana: uma imediatamente tapada e a outra que não coloca os tripulantes da estação em risco.
Porém, nada aconteceu. Os cosmonautas russos colocaram a reparação em pausa por serem necessárias novas medições e mais dados. E, consequentemente, cerca de duas horas depois do alerta de evacuação, os astronautas saíram das cápsulas e voltaram à Estação Espacial Internacional.
Se a fuga de ar piorar, o módulo perde a pressão atmosférica correcta, algo que é essencial para a sobrevivência da tripulação e para o funcionamento dos equipamentos a bordo. A pressão dentro da Estação Espacial Internacional imita a pressão na Terra ao nível do mar, prevenindo problemas como a vaporização de saliva ou a expansão dos tecidos da pele – além de assegurar um nível adequado de oxigénio. Além disso, a pressão interna permite que a estrutura da estação se mantenha.
Fugas recorrentes
Não é a primeira vez, nem será a última, que as fugas de ar na Estação Espacial Internacional assustam. No entanto, esta em particular tem sido persistente. As fugas de ar têm sido pequenas nos últimos meses neste módulo russo, mas, esta segunda-feira o problema agravou-se, duplicando a quantidade de ar, segundo explicou um funcionário da NASA à agência Reuters.
O módulo Zvezda foi o terceiro a ser lançado para a Estação Espacial Internacional, logo em Julho de 2000. Este módulo tem, dentro dos seus 13 metros de comprimento, quartos para dois astronautas, distribuição de electricidade ou sistemas de propulsão – todos aspectos fulcrais na vida da estação. Nos últimos anos, sobretudo desde 2019, as fugas de ar têm sido um problema constante, com várias fissuras no túnel que liga o Zvezda a uma porta onde a tripulação enviada pelo veículo russo Soiuz e as naves de reabastecimento ancoram.
Há dois anos, em Novembro de 2024, Bob Cabana, antigo astronauta da NASA, afirmava ao site Ars Technica que a agência norte-americana já tinha dado conta da sua “preocupação com a integridade estrutural” do módulo e com “a possibilidade de uma falha catastrófica”.
Para já, nada aconteceu. Será tempo de avaliar, medir e estudar novos mecanismos para remendar as fugas recorrentes no túnel de acesso ao Zvezda. Afinal, apesar da morte anunciada para 2030 (com reentrada na atmosfera em 2031), a Estação Espacial Internacional ainda tem uns anos e dezenas de missões pela frente.