O Ministério das Finanças nega as afirmações da bastonária dos Contabilistas sobre atrasos no reembolso do IRS para “milhares” de contribuintes e garante que essas devoluções “estão a decorrer com toda a normalidade”.
Num comunicado enviado ao Observador, fonte oficial do ministério de Joaquim Miranda Sarmento apresenta os números sobre os reembolsos pagos até ao início deste mês. “Até ao dia 3 de junho foram liquidadas mais de 3,2 milhões de declarações das quais 1.948.160 com reembolso (mais 209 mil do que na mesma data de 2025) e pagos 1.814.589 reembolsos com um montante global superior a 1,7 mil milhões de euros, quando em 4 de junho de 2025 haviam sido pagos 1.608.797 reembolsos).”
O ministério garante, ainda, que “que os prazos médios de reembolsos são inferiores ao do ano passado”. Em 2026, o prazo médio de reembolso está, até ao momento, em 11,6 dias. No ano passado, esse indicador era de 13 dias.
O esclarecimento do Ministério das Finanças surge horas depois da divulgação de uma entrevista à bastonária da Ordem dos Contabilistas ao Jornal de Negócios e Antena 1. Uma entrevista em que Paula Franco dizia, apesar da “expectativa” habitual de que os reembolsos sejam “rápidos”, isso não se estaria a verificar nesta fase.
“Há sempre a expectativa de um reembolso rápido e de facto aconteceu nos primeiros momentos, principalmente para quem entregou declarações automáticas. Essas foram relativamente rápidas a liquidar. Agora quase parou e há muitos milhares de declarações por liquidar o que cria uma certa ansiedade”, disse a bastonária.
Paula Franco dizia ainda que, “neste momento, [as liquidações] estão atrasadas”, ainda que não conseguisse apresentar uma explicação para isso. “Há sempre questões mais complexas, mas de forma geral estão atrasadas nesta altura. Há muitas por liquidar”, mesmo tendo os contribuintes já recebido a indicação de que a declaração estaria correta, garantia a bastonária.